Projetos serão desenvolvidos em Teresina, Picos e Floriano, fortalecendo a formação acadêmica e a integração entre universidade, serviços de saúde e comunidades diante dos desafios das mudanças climáticas
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) conquistou destaque nacional ao aprovar três propostas na 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde: Clima), iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população. O resultado final homologado do edital foi publicado por meio da Portaria SGTES/MS nº 322, de 16 de junho de 2026.
Ao todo, 195 projetos foram selecionados em todo o país, reunindo instituições de ensino superior e gestores municipais e estaduais de saúde. As propostas aprovadas pela UFPI serão desenvolvidas nos municípios de Teresina, Picos e Floriano, ampliando a atuação da Universidade em diferentes territórios do estado e fortalecendo sua contribuição para a saúde pública e o desenvolvimento regional.
O destaque ficou para o projeto de Floriano, que alcançou a 7ª colocação no ranking nacional e o 1º lugar entre todas as propostas aprovadas da Região Nordeste. Intitulada “PET-Saúde Clima: Vigilância, Produção do Cuidado e Justiça Climática frente às Emergências Climáticas em Territórios Ribeirinhos do Rio Parnaíba e Áreas Urbanas Vulneráveis de Floriano-PI”, a iniciativa obteve um dos melhores desempenhos do país.
Já a proposta “PET-Saúde Clima Picos: Interprofissionalidade para o Enfrentamento das Vulnerabilidades Climáticas, Integração entre Ensino, Serviço, Comunidade e Gestão no Semiárido” ficou na 75ª posição nacional. Em Teresina, o projeto “Calor Extremo e Saúde nos Ciclos de Vida em Teresina”, desenvolvido em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), conquistou o 82º lugar.
Cada projeto contará com 40 estudantes bolsistas, 10 docentes tutores e 10 profissionais preceptores dos serviços de saúde. Com isso, as três propostas poderão envolver aproximadamente 120 estudantes, 30 professores e 30 profissionais da rede pública, ampliando as oportunidades de formação prática e interdisciplinar voltadas às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Pró-reitora da PREXC/UFPI, Waleska Albuquerque. Foto: Arquivo SCS/UFPI
A pró-reitora de Extensão e Cultura da UFPI, Waleska Albuquerque, destacou que a Universidade participa do PET-Saúde desde a criação do programa, acumulando aprovações em diversas edições.
“A cada edição, o programa aborda temas estratégicos para a saúde pública. Neste ano, pela primeira vez, a UFPI submeteu três propostas simultaneamente, contemplando os campi de Teresina, Picos e Floriano, e todas foram aprovadas com êxito”, afirmou.
Segundo a pró-reitora, os projetos são construídos em parceria com os serviços públicos de saúde, por meio das secretarias municipais, estaduais e da Fundação Municipal de Saúde, fortalecendo a integração entre universidade, gestão pública e comunidade.
Waleska Albuquerque também ressaltou o desempenho alcançado pelo campus de Floriano, que participa do PET-Saúde pela primeira vez.
“É importante destacar a aprovação do campus de Floriano, que participa do PET-Saúde pela primeira vez e já conquistou uma posição de destaque nacional. Isso demonstra a qualidade das propostas elaboradas pela UFPI e o compromisso dos nossos docentes com as demandas da sociedade”, enfatizou.
Ela destacou ainda que a iniciativa fortalece a formação prática dos estudantes ao reunir diferentes cursos da área da saúde em experiências interprofissionais diretamente articuladas às demandas do SUS.
As três propostas contemplam realidades distintas e desafios específicos relacionados às mudanças climáticas. Em Teresina, o foco será o impacto das ondas de calor extremo sobre a saúde da população em diferentes ciclos da vida. Em Picos, as ações estarão voltadas para as vulnerabilidades climáticas características do semiárido. Já em Floriano, os estudos e intervenções abordarão os efeitos das emergências climáticas em territórios ribeirinhos e áreas urbanas socialmente vulneráveis.
Projeto de Teresina focará nos impactos do calor extremo
Prof. Otacílio Nétto (CCS-Odontologia), Profa. Lucia Vilarinho, Prof. Osmar Cardoso (CCS-PPGSC)
Coordenado pela professora Lucia da Silva Vilarinho, do Departamento de Serviço Social e coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP-UFPI), o projeto de Teresina reúne docentes e estudantes de diversas áreas do conhecimento, incluindo Medicina, Medicina Veterinária, Serviço Social, Odontologia, Farmácia, Nutrição, Ciências Biológicas, Arquitetura e Urbanismo, Estatística e Análise de Dados e Ciências Sociais.
A iniciativa será desenvolvida em parceria com a Fundação Municipal de Saúde, responsável pela preceptoria nos cenários de prática vinculados à gestão e à assistência do SUS no município.
Segundo a coordenadora, a proposta busca fortalecer a integração entre ensino, serviço e comunidade, promovendo a formação de futuros profissionais preparados para enfrentar os desafios impostos pelas emergências climáticas e ambientais.
“O projeto promove a integração ensino-serviço-comunidade, focando na reorientação da formação dos estudantes e das práticas profissionais. Também aborda as iniquidades sociais e ambientais no contexto da saúde, alinhadas à integralidade do cuidado e à sustentabilidade”, destacou.
A professora explica que Teresina representa um cenário estratégico para o desenvolvimento da proposta, devido à combinação entre altas temperaturas, expansão urbana e desigualdades socioambientais.
“Teresina é um caso singular da interseção entre crise climática, desigualdade social e saúde. A cidade enfrenta intensa impermeabilização do solo, redução da cobertura vegetal em áreas periféricas e crescimento urbano desordenado, fatores que contribuem para a formação de ilhas de calor e ampliam os riscos à saúde da população mais vulnerável”, afirmou.
O projeto contará com 60 bolsas, distribuídas entre 40 estudantes, 10 docentes tutores e 10 profissionais da FMS. As ações estarão organizadas em três eixos: vigilância territorial, qualificação do cuidado especializado por meio de protocolos assistenciais sensíveis ao calor extremo e estratégias inovadoras de comunicação em saúde. Entre os grupos prioritários estão gestantes, mulheres no climatério e idosos com risco de complicações renais residentes em áreas mais expostas às altas temperaturas.
De acordo com Lucia Vilarinho, a proposta está alinhada às diretrizes do AdaptaSUS 2024–2035 e ao Plano de Ação Climática de Teresina, contribuindo para o fortalecimento da resposta do setor saúde diante dos eventos climáticos extremos. A equipe já organiza o cronograma de atividades para os próximos dois anos, com previsão de seleção dos estudantes ainda neste mês e início das atividades práticas na rede SUS em julho.
Por último, a professora Lucia Vilarinho reforça e agradece o trabalho conjunto com o professor Osmar Cardoso (CCS-PPGSC), professor Otacílio Nétto (CCS-Odontologia) e demais professores e parceiros no projeto PET-Saude: Clima e realça que o projeto é produto de um efetivo trabalho em equipe.
Floriano alcança melhor resultado do Nordeste
Na foto: a professora Fátima Regina Nunes ao lado de parte da equipe que colaborou na elaboração da proposta
A coordenadora do projeto de Floriano, professora Fátima Regina Nunes, avaliou que a aprovação representa um marco para o campus e para o município.
“A Universidade Federal do Piauí, Campus Floriano, encaminhou pela primeira vez uma proposta para o PET-Saúde Clima e conquistou o primeiro lugar entre os projetos aprovados do Nordeste e a sétima colocação nacional. Esse resultado representa um importante reconhecimento da relevância das ações desenvolvidas em nosso território e do compromisso com a integração entre ensino, serviço e comunidade”, afirmou.
Segundo a docente, a proposta reúne a UFPI e a Secretaria Municipal de Saúde de Floriano em uma iniciativa voltada à vigilância em saúde, produção do cuidado, comunicação, inovação e justiça climática.
“O projeto tem como cenário estratégico as comunidades ribeirinhas do Rio Parnaíba e áreas urbanas vulneráveis do município. A nova edição do PET-Saúde fortalece a formação de profissionais para atuação no SUS diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, com foco na equidade em saúde e na redução das vulnerabilidades sociais, ambientais e territoriais”, explicou.
Para Fátima Regina Nunes, o desempenho alcançado reforça o protagonismo do município na construção de soluções sustentáveis para a saúde pública.
“Este resultado reforça o protagonismo de Floriano na construção de soluções que unem saúde, ciência, educação e sustentabilidade em defesa da vida e do SUS”, concluiu.
Picos abordará vulnerabilidades climáticas do semiárido
Professora Ana Roberta Vilarouca coordenou a proposta em Picos
Em Picos, a coordenadora do projeto, professora Ana Roberta Vilarouca, destacou que a proposta foi construída a partir das características climáticas e socioambientais da região.
“O município de Picos é um importante polo de saúde e comércio do sudeste piauiense e convive com extremos climáticos, alternando períodos prolongados de estiagem com chuvas intensas. Recentemente enfrentamos eventos de inundação que afetaram comunidades e serviços de saúde. Foi a partir desse contexto que estruturamos nossa proposta”, explicou.
O projeto será desenvolvido ao longo de dois anos e trabalhará três eixos centrais: produção do cuidado e vigilância em saúde; acesso à atenção especializada e integralidade do cuidado; e comunicação e inovação em saúde para o enfrentamento das emergências climáticas e ambientais.
Segundo a docente, a iniciativa deverá gerar impactos significativos tanto na formação acadêmica quanto nos serviços de saúde.
“Um dos principais benefícios será a qualificação da formação dos estudantes, incorporando cada vez mais a temática da saúde ambiental e das práticas interprofissionais aos currículos. Também haverá impacto positivo para os profissionais dos serviços de saúde e para a população atendida”, acrescentou.
Para a coordenação institucional dos projetos, a aprovação simultânea das três propostas demonstra a capacidade da UFPI de articular ensino, pesquisa, extensão e serviços de saúde em torno de desafios contemporâneos que afetam diretamente a população.
Os projetos deverão contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis, fortalecer a formação interprofissional dos estudantes e ampliar a produção de conhecimento científico aplicado às necessidades do SUS.
Além de ampliar a inserção da Universidade em programas estratégicos do Governo Federal, as iniciativas terão impacto direto na pesquisa, na extensão universitária e na promoção da saúde coletiva ao longo dos próximos 24 meses.