Conheça o OncoTTGen: primeiro Instituto de pesquisa focado no tratamento avançado do câncer no Piauí

Professores: Paulo Michel Pinheiro, João Marcelo de Castro, Felipe Cavalcanti e Dalton Dittz

Com o objetivo de fomentar o desenvolvimento de pesquisas avançadas voltadas ao tratamento do câncer, o primeiro Instituto Nacional de Oncologia Translacional e Terapias Gênicas do Piauí (OncoTTGen), sediado no Centro de Ciências da Saúde (CCS), proporciona forte investimento na formação de recursos humanos e capacitação a estudantes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e profissionais de saúde da região.

Idealizado pelo professor João Marcelo de Castro e Sousa, coordenador de Pesquisa e Inovação da UFPI e do Laboratório de Pesquisa em Genética Toxicológica (LAPGENIC), o projeto que institui o primeiro Instituto Nacional de Oncologia Translacional e Terapias Gênicas do estado do Piauí, alcançou um marco histórico ao ser aprovado, por meio da Chamada Nacional de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e receber o investimento previsto de R$ 4.178.355,90, através dos apoios da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Primeiro ano de investimentos

Laboratório de Pesquisa em Genética Toxicológica (LAPGENIC)

A assinatura do termo de outorga entre o INCT e a Fapepi foi oficializada no dia 27 de março de 2026, durante visita de pesquisadores da UFPI à sede da fundação, mas o financiamento iniciou em 2025 pelo CNPQ, mesmo período da inauguração do programa; e proporcionou inúmeras melhorias da infraestrutura dos laboratórios da UFPI envolvidos, que foram desde pinturas, ampliações, e avanço na biossegurança. Porém, o progresso também abrange a aquisição de novos equipamentos, necessários para a continuação do avanço das pesquisas oncológicas.

“Entre os avanços estruturais alcançados, destaca-se a aquisição de uma autoclave de maior porte, fundamental para a esterilização dos materiais empregados nos estudos in vitro, etapa inicial das pesquisas pré-clínicas desenvolvidas pelo grupo. Também foi incorporada uma nova incubadora de CO₂, equipamento essencial para o cultivo e a manutenção de células tumorais em ambiente controlado. Os resultados obtidos nessa fase permitem a progressão dos estudos para modelos animais e, posteriormente, para a avaliação clínica em pacientes oncológicos”, ressaltou o professor João Marcelo de Castro e Sousa.

Avanço do Piauí em pesquisas oncológicas e parceria com outras instituições

O Piauí tem passado por uma transformação significativa na área oncológica, deixando de ser apenas um centro de tratamento básico para se tornar um polo de inovação e pesquisa científica no Nordeste; tornando esse um dos motivos que levou a criação da Oncottgen.

Para o coordenador João Marcelo de Castro e Sousa, a criação do Instituto e o protagonismo alcançado pelo Estado contribuem para fortalecer uma rede colaborativa de pesquisa voltada à busca de tratamentos mais eficazes contra o câncer, especialmente os tumores cerebrais. “O INCT tem como missão integrar pesquisadores e laboratórios do Brasil e do exterior em torno de uma agenda comum de pesquisa em Oncologia. A rede atuará em diferentes frentes, desde experimentos com culturas celulares até estudos em modelos animais, promovendo o compartilhamento de conhecimento, infraestrutura e tecnologias. Atualmente, o projeto reúne mais de 20 instituições, entre universidades públicas, unidades da Fiocruz e hospitais públicos e privados, criando um ambiente altamente qualificado para a geração de conhecimento e inovação em saúde”, destacou.

Entre as instituições piauienses participantes estão a UFPI, o HU-UFPI, a Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), a Fiocruz Piauí, Hospital Getúlio Vargas e o Hospital São Marcos. No cenário regional e nacional, o projeto conta com a participação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Fiocruz Bahia, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), PUC-RJ, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidades estaduais de Maringá e Londrina, AC Camargo Cancer Center, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) e Universidade Federal do Pará (UFPA), promovendo uma rede colaborativa entre as regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país.

Essa articulação entre instituições das regiões Norte e Nordeste amplia a produção científica colaborativa e acelera o desenvolvimento de novas tecnologias para o tratamento do câncer. Além da participação no novo instituto, 14 professores da UFPI também integram outros INCTs aprovados na chamada nacional, atuando em áreas como patologias moleculares, terapias avançadas, fotônica, sustentabilidade dos solos, igualdade social e doenças negligenciadas.
Inteligência Artificial aplicada à pesquisa oncológica

Desenvolvida em parceria com o professor André Pimentel, do Departamento de Química da PUC-Rio, uma das linhas estratégicas do INCT envolve a aplicação de técnicas de Inteligência Artificial para acelerar a identificação de alvos moleculares relevantes para o tratamento do câncer. Por meio de ferramentas computacionais avançadas, os pesquisadores utilizam algoritmos capazes de selecionar e priorizar moléculas do tipo ASO (Antisense Oligonucleotides), uma tecnologia promissora para o diagnóstico molecular e a modulação da expressão gênica em diferentes doenças.

“Dentro do nosso foco principal de pesquisa, desenvolvemos um projeto que utiliza Inteligência Artificial para identificar e selecionar ASOs direcionados a genes associados à resistência tumoral. Esses oligonucleotídeos antissenso atuam como inibidores específicos da expressão gênica, permitindo interferir em mecanismos moleculares que favorecem a progressão do câncer e a resistência aos tratamentos convencionais. Com o auxílio de softwares de Inteligência Artificial, conseguimos analisar grandes volumes de dados biológicos e identificar, de forma mais rápida e precisa, os genes de maior interesse para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas”, explicou João Marcelo de Castro e Sousa.

Formação de novos pesquisadores

Além da produção científica, o projeto oferece forte investimento na formação de recursos humanos. Estão previstas mais de 30 bolsas de formação científica, incluindo programas de iniciação científica, mestrado, doutorado, doutorado sanduíche e intercâmbios internacionais. A iniciativa também promoverá cursos de capacitação voltados a estudantes da UFPI e profissionais de saúde da região, ampliando a qualificação técnica no campo da oncologia.

Para o pós-graduando em Ciências Farmacêuticas, João Pedro Alves Damasceno do Lago, o Instituto representa uma oportunidade única de formação acadêmica e desenvolvimento profissional. “O OncoTTGen é fundamental para a minha trajetória como pesquisador, pois possibilita a participação em um projeto de alcance nacional, mas com impacto direto no Piauí. Além de ampliar minha capacitação científica, o Instituto oferece infraestrutura adequada, orientação qualificada e a oportunidade de atuar em pesquisas inovadoras na área da oncologia”, destacou o estudante.

O coordenador do Instituto, professor João Marcelo de Castro e Sousa, ressalta que a formação de recursos humanos é uma das principais missões da iniciativa. “O nosso Instituto reúne estudantes em diferentes etapas da formação acadêmica, desde a iniciação científica até o doutorado, integrando uma equipe com mais de 65 pesquisadores. Temos a responsabilidade de desenvolver competências e expertise em oncologia e medicina de precisão, formando profissionais altamente qualificados para atuar na pesquisa, na inovação e na assistência à saúde. Esse investimento em capital humano contribui diretamente para o avanço do conhecimento científico, para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde”, enfatizou.

Também participam da Instituto os docentes pesquisadores da UFPI: Paulo Michel Pinheiro Ferreira (Departamento de BIofísica e Fisiologia / LabCancer), Dalton Dittz Junior (Departamento de Bioquimica e Farmacologia/ LAFAN) e Felipe Cavalcanti Carneiro da Silva (Departamento de Bioquimica e Farmacologia/ Lab. de Genômica Integrativa), especialistas na área de oncologia.

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