Na imagem acima: Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, em Picos/ Na imagem abaixo: Campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) teve duas propostas classificadas no resultado preliminar do Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde (AFIRMASUS), do Ministério da Saúde. Os dois projetos são vinculados aos campi de Floriano e Picos. A Universidade já conta com iniciativas do AFIRMASUS em Teresina e Bom Jesus, contempladas na edição anterior.
O resultado preliminar do Edital nº 27/2026 apresenta 76 propostas classificadas para o programa, antes da relação destinada ao cadastro reserva. As duas propostas da UFPI aparecem consecutivamente, nas posições 42 e 43. Segundo o Pró-reitor da PRAEC, Emídio Matos, a iniciativa está relacionada à formação de estudantes da área da saúde para compreender a realidade de populações vulnerabilizadas.
Pró-reitor da PRAEC, Emídio Matos
“Formar estudantes nessa perspectiva, compreendendo a realidade das populações vulnerabilizadas é um compromisso institucional, então, nós temos agora os quatro campi da UFPI com grupos do AfirmaSUS”. Ainda segundo o Pró-reitor, a Instituição pretende realizar um encontro entre os grupos para que, através dessa troca, possa acontecer uma maior compreensão da diversidade da sociedade. “Reconhecer, respeitar e fazer uma formação de saúde pensada e voltada para a comunidade, para a sociedade e para o Sistema Único de Saúde”, explicou o professor Emídio.
No Campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano, foi classificado o projeto “DIVERSUS: formação interprofissional, comunicação inclusiva e cuidado equitativo para populações vulnerabilizadas no SUS”. A proposta articula formação na área da saúde, comunicação e equidade, com atenção às necessidades de populações em situação de vulnerabilidade.
A segunda proposta selecionada é “Vidas, Territórios e Equidade: Formação Interprofissional com Quilombolas, Pessoas Negras, Povos Ciganos, Pessoas Trans e Pessoas com Deficiência”, vinculada, no resultado, ao Campus Senador Helvídio Nunes de Barros. O projeto evidencia a diversidade dos públicos envolvidos e a formação interprofissional como estratégia para ampliar a equidade no cuidado em saúde.
Projeto em Picos promove formação para a equidade
Professora Ana Roberta Vilarouca (CSHNB/ UFPI)
Coordenadora do projeto no Campis de Picos, a professora Ana Roberta Vilarouca, do Departamento de Enfermagem (CSHNB/UFPI), explica que a iniciativa tem como foco populações historicamente marcadas por desigualdades, barreiras de acesso, preconceito, discriminação e exclusão social.
“O projeto parte do princípio de que cada território possui suas próprias histórias, necessidades, desafios e potencialidades. Por isso, as ações serão construídas a partir da escuta, do diálogo e da participação dos próprios sujeitos e comunidades.”
Segundo a coordenadora, entre as ações previstas estão atividades de educação em saúde, promoção da saúde mental, acolhimento, escuta qualificada, formação, pesquisa, extensão, produção de materiais acessíveis, comunicação em saúde e desenvolvimento de tecnologias sociais e educativas. Para Roberta, a aprovação representa também o fortalecimento do papel da Universidade na promoção da inclusão e da equidade. “O projeto representa um importante compromisso com a equidade, a inclusão, os direitos humanos, a diversidade e a transformação social, fortalecendo o papel da Universidade na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora”.
DIVERSUS fortalece permanência estudantil em Floriano
No Campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano, o projeto DIVERSUS será desenvolvido durante 24 meses, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Floriano, serviços da Rede de Atenção à Saúde, escolas, movimentos sociais e organizações comunitárias. Segundo o coordenador do projeto, professor José Cláudio, a proposta busca promover a permanência e o êxito acadêmico de estudantes dos cursos de Ciências Biológicas, Enfermagem e Medicina, especialmente daqueles que ingressaram por meio de ações afirmativas.
A iniciativa terá atenção especial às trajetórias de estudantes negros, pessoas trans e pessoas com deficiência, considerando que a evasão universitária também pode estar relacionada a barreiras econômicas, psicossociais, raciais, capacitistas, territoriais e relacionadas à identidade de gênero e à orientação sexual.
Entre as ações previstas estão acolhimento institucional, tutoria docente, mentoria entre pares, rodas de escuta e espaços seguros de diálogo. Também serão realizadas atividades de formação interprofissional, oficinas de leitura e escrita científica, metodologia da pesquisa, comunicação e educação popular em saúde, além da produção de materiais educativos acessíveis, podcasts, pesquisas aplicadas e intervenções nos serviços de saúde e na comunidade.
Professor José Claúdio Garcia (CAFS/UFPI)
Para o professor José Claúdio Garcia, do Departamento de Enfermagem (CAFS/UFPI), a aprovação fortalece tanto a formação dos estudantes quanto a relação da Universidade com o território. “A importância dessa conquista para o Campus de Floriano está justamente na possibilidade de fortalecer, simultaneamente, a formação dos estudantes e a relação da universidade com o território”.
Ele destaca ainda que, para a UFPI, a contemplação representa o reconhecimento da capacidade da instituição de formular propostas voltadas ao enfrentamento das desigualdades. “Para a UFPI como um todo, a contemplação no AfirmaSUS representa o reconhecimento de sua capacidade de formular propostas relevantes para o enfrentamento das desigualdades sociais, acadêmicas e de saúde”.