Registro da aula inaugural do "Cursinho Popular Pré-ENEM Paulo Freire" em 2026
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) desenvolve projetos de extensão que atuam no apoio a estudantes de escolas públicas, especialmente em comunidades populares, por meio de cursinhos preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As iniciativas, de caráter interdisciplinar, envolvem docentes e discentes de diferentes cursos de graduação e têm como objetivo democratizar o acesso ao ensino superior, além de orientar jovens sobre a trajetória acadêmica.
Entre os projetos em atividade estão “Educação social, comunidades populares e inclusão”, coordenado pela professora Cecília Gonçalves, do Departamento de Nutrição (CCS); o “Cursinho Popular Pré-Enem Paulo Freire”, sob coordenação da professora Carla Silvino de Oliveira, do curso de História do Campus Senador Helvídio Nunes de Barros (CSHNB), em Picos; o “Pré-Enem Popular Vale da Gurgueia”, coordenado pela professora Kelly Cristine Rodrigues, do curso de Ciências Biológicas do Campus Professora Cinobelina Elvas (CPCE); e o “Preparatório para o Enem na área de Ciências da Natureza”, coordenado pela professora Jussiara Candeira Spindola Linhares, do curso de Ciências Biológicas do Campus Amílcar Ferreira Sobral (CAFS), em Floriano.
Além dessas ações, a UFPI também contou com o projeto “Pense Enem”, coordenado pelo professor Antônio Kelson Vieira da Silva, do Departamento de Matemática (CCN), encerrado em 2024.
Cursinho Popular Pré-Enem Paulo Freire
Criado em 2009, o “Cursinho Popular Pré-Enem Paulo Freire” atende estudantes da rede pública e pessoas em situação de vulnerabilidade social, com foco na preparação para o Enem e no acesso ao ensino superior. Desde 2014, o projeto é coordenado pela professora Carla Silvino de Oliveira, consolidando-se como uma importante ação de extensão vinculada ao curso de História.
De acordo com a coordenadora, a iniciativa tem como eixo central a democratização do conhecimento e a redução das desigualdades educacionais. “O projeto busca preparar estudantes para o Enem, promovendo inclusão social e articulando educação, cidadania e transformação social”, destaca.
As atividades são organizadas a partir dos eixos de ensino, pesquisa e extensão. No ensino, são ofertadas aulas presenciais nas quatro áreas do conhecimento, além de redações e simulados. Na pesquisa, há grupos de estudo voltados a metodologias de ensino e inclusão educacional. Já na extensão, são promovidas atividades culturais, como cine-debates, oficinas e rodas de conversa.
Segundo a professora, os resultados são expressivos. “Observamos aumento nas aprovações no Enem, desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais e fortalecimento da permanência nos estudos. O projeto também contribui para a formação pedagógica dos graduandos que atuam como docentes”, afirma.
Entre os planos futuros, está a expansão territorial da iniciativa. “Iniciamos, em 2025, o Cursinho Itinerante em Santana do Piauí, com a perspectiva de ampliar para outras cidades da região, fortalecendo nosso compromisso com a democratização do acesso ao ensino superior”, conclui.
Pré-Enem Popular Vale da Gurgueia
O “Pré-Enem Popular Vale da Gurgueia”, desenvolvido no Campus Professora Cinobelina Elvas, em Bom Jesus, atende estudantes da região sul do Piauí, com foco na preparação para o Enem e outros processos seletivos.
Criado em 2007, o projeto envolve professores, técnico-administrativos e estudantes da UFPI e atende municípios como Bom Jesus, Currais, Palmeira, Cristino Castro, Santa Luz e Redenção do Gurguéia.
Aulão de Revisão para o Enem (Auditório do CPCE/UFPI)
Em 2025, a iniciativa foi contemplada pelo Programa Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), do Ministério da Educação (MEC). Para a coordenadora, professora Kelly Cristine Rodrigues, a política pública representou um avanço significativo. “Pela primeira vez, um programa governamental reconhece e fortalece os cursinhos populares como estratégia de democratização do acesso ao ensino superior”, afirma.
Entre os impactos, destacam-se a redução da evasão, impulsionada por auxílio permanência, e a melhoria das condições pedagógicas, com produção de materiais didáticos e qualificação das aulas.
Apesar dos avanços, o projeto enfrenta desafios, como dificuldades de acesso ao campus, ausência de transporte público e a necessidade de conciliar estudo e trabalho por parte dos alunos. “Também lidamos com a heterogeneidade do público e defasagens de aprendizagem, o que exige estratégias pedagógicas diferenciadas”, explica.
Para os próximos anos, a proposta é ampliar ações pedagógicas e de acolhimento, com reforço em simulados, oficinas de redação e apoio psicossocial, consolidando o projeto como espaço de formação cidadã.
Preparatório para o Enem na área de Ciências da Natureza
O projeto “Preparatório para o Enem na área de Ciências da Natureza”, desenvolvido no Campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano, oferece suporte gratuito a estudantes com dificuldades nas disciplinas de Biologia, Química e Física, áreas tradicionalmente desafiadoras no Enem.
Aulão para o Enem
A iniciativa teve início em 2019 e surgiu a partir da demanda de estudantes do ensino médio e egressos da rede pública. “Identificamos uma grande dificuldade nessas áreas e, com o apoio dos graduandos, estruturamos o projeto para oferecer um ensino qualificado à comunidade”, explica a coordenadora, professora Jussiara Candeira Spindola Linhares.
As aulas ocorrem aos sábados, em sistema de rodízio entre as disciplinas, e são ministradas por estudantes da UFPI, sob supervisão docente. Além do conteúdo acadêmico, o projeto aborda temas como saúde mental, especialmente na aula inaugural.
A ação também contribui para a aproximação entre a Universidade e a educação básica. “Os estudantes têm a oportunidade de vivenciar o ambiente universitário antes mesmo do ingresso, o que fortalece o vínculo com a Instituição”, destaca a professora.
Os resultados incluem aumento no ingresso ao ensino superior e retomada dos estudos por parte de alunos que estavam afastados da rotina acadêmica. A expectativa é ampliar o número de participantes e fortalecer a formação docente dos graduandos envolvidos.
Educação social, comunidades populares e inclusão
O projeto “Educação social, comunidades populares e inclusão” é uma ação extensionista interdisciplinar voltada a estudantes do ensino médio da rede pública, com foco em jovens de comunidades populares. A iniciativa busca contribuir para a democratização do acesso ao ensino superior e fortalecer o vínculo entre Universidade e sociedade. O projeto tem expectativa de iniciar suas atividades em abril deste ano.
Coordenada pela professora Cecília Gonçalves, a ação conta com a participação de estudantes dos cursos de Serviço Social, Nutrição e Direito. A proposta surgiu a partir de discussões no âmbito do Programa de Educação Tutorial (PET Integração), especialmente com base em experiências com práticas de redação para o Enem em escolas públicas.
Segundo a coordenadora, a iniciativa favorece a aproximação entre a Universidade e os estudantes. “A proposta contribui para que esses jovens compreendam melhor o papel da universidade, reflitam sobre suas trajetórias acadêmicas e percebam a relação entre formação e inserção social. Essa aproximação fortalece os laços entre a Instituição e as comunidades populares”, afirma.
A docente também destaca os impactos formativos do projeto. “Há uma troca de saberes entre universitários e jovens de origem popular, o que contribui para uma atuação mais qualificada nos movimentos sociais e para o reconhecimento dos conhecimentos produzidos nesses espaços”, ressalta.
A estudante Grazyely de Fátima Campos Teles, do curso de Serviço Social e integrante da organização, enfatiza a importância do planejamento. “O processo de preparação é fundamental, pois envolve definição de cronograma, levantamento de dados e alinhamento com a realidade dos estudantes. Já estamos na fase de organização das atividades e definição do local de realização”, explica.
Ela também destaca as expectativas em relação ao impacto social da ação. “A expectativa é muito positiva, principalmente pelo contato direto com a comunidade externa e pelo potencial transformador da iniciativa”, finaliza.