
Curso de História do Campus de Picos participou de atividades quilombolas em Jerumenha (PI)
Estudantes e professores do curso de História da Universidade Federal do Piauí (UFPI), do Campus Senador Helvídio Nunes de Barros (CSHNB), participaram de atividades na comunidade quilombola Artur Passos, no município de Jerumenha (PI), durante a entrega do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação do Território Quilombola (RTID).
O documento foi elaborado pela Associação de Moradores e Remanescentes Quilombolas da Comunidade Artur Passos (AMRQCAP), com apoio de integrantes do Projeto Quilombos Piauí, iniciativa do Observatório Quilombos Piauí, operacionalizada em parceria com a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (FADEX) e financiada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio da Procuradoria Regional do Trabalho da 22ª Região (PRT-22).
Realizado entre os dias 27 e 29 de março, o evento teve como foco a promoção dos direitos individuais e coletivos das populações quilombolas e o reconhecimento territorial, conforme previsto na Constituição Federal. “Durante a programação, foram discutidas estratégias para a proteção desses direitos, além da construção de uma agenda de ações voltadas à titulação das terras da comunidade”, explica o professor Mairton Celestino.
Entre as iniciativas destacadas, está a participação de universidades, como a UFPI e a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), na elaboração de pareceres técnicos que validem o RTID, etapa considerada fundamental para a legitimação do processo de regularização fundiária.
A assembleia da comunidade também aprovou a indicação de duas lideranças locais como mestres de notório saber, conforme a Resolução nº 401, de 23 de janeiro de 2026, da UFPI. A medida representa um avanço no reconhecimento dos saberes tradicionais e das lideranças comunitárias.
De acordo com o professor Mairton Celestino, a participação dos estudantes fortalece o engajamento acadêmico e social. “A mobilização dos estudantes do curso de História da UFPI em participar da atividade contribui para ampliar o interesse pela pauta quilombola, consolidando-a não apenas como uma luta por cidadania, mas também como campo de pesquisa e atuação em defesa dos direitos humanos e da justiça social”, afirma.
Durante os debates, também foram enfatizadas estratégias voltadas à garantia de direitos básicos. Para o professor José Maria, é essencial avançar na implementação de políticas públicas. “É fundamental assegurar ações nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, de modo a atender diretamente às necessidades da comunidade e fortalecer o reconhecimento de seus direitos”, destaca.
