Como parte das atividades de retorno da disciplina Educação Infantil, do Curso de Educação Escolar Quilombola, do Polo do PARFOR Equidade/UFPI de Batalha, foi realizada nesse sábado (19), uma aula prática e vivencial em que os estudantes do curso desenvolveram diferentes oficinas com as crianças da comunidade quilombola Chapada do Urubu.

Atividade aconteceu na comunidade quilombola Chapada do Urubu
A proposta teve como objetivo proporcionar experiências significativas, lúdicas e educativas, articulando os conhecimentos da Educação Infantil com os princípios da Educação Escolar Quilombola e com a valorização da cultura de matriz africana, da ancestralidade, da coletividade e da relação com a natureza.

Oficina lúdica realizada com os alunos
Foram desenvolvidas oficinas de Culinária na Educação Infantil, Psicomotricidade e Movimento, Contação de Histórias, Brincadeiras e Jogos Tradicionais, Artes Visuais e Criatividade e Musicalização. Em todas elas, buscou-se valorizar elementos da cultura de matriz africana, da ancestralidade, da coletividade e da relação respeitosa com a natureza, possibilitando que as crianças aprendessem não apenas por meio das palavras, mas também pelo corpo, pelos sentidos, pela arte, pela música, pelo brincar e pela convivência.

Cursistas se dividiram em grupos para realizar atividades
“Um momento especialmente significativo foi a roda de capoeira organizada pelas próprias crianças, que demonstraram envolvimento, autonomia e entusiasmo ao participar dessa manifestação cultural. A capoeira, enquanto expressão que reúne movimento, música, história, coletividade e ancestralidade, tornou-se um importante momento de integração entre as crianças e os estudantes do PARFOR”, destacou a professora Thayse Araújo.
A docente reiterou que a experiência mostrou que a Educação Infantil pode ser um espaço potente para a valorização das identidades, das culturas e dos saberes ancestrais, promovendo aprendizagens que ultrapassam os conteúdos formais e se constroem nas relações, nas experiências e nas vivências coletivas. “A aula constituiu-se em um momento de troca de saberes, formação e aprendizagem coletiva, aproximando teoria e prática e reafirmando a importância de uma Educação Infantil que respeite as diferentes culturas, valorize a ancestralidade e reconheça as crianças como sujeitos ativos, criativos e participantes de sua própria aprendizagem. Mais do que realizar oficinas, a experiência possibilitou aprender com as crianças, compartilhar saberes e fortalecer o compromisso com uma educação baseada no respeito, na diversidade, na coletividade e na valorização das raízes culturais”.

Durante oficina de Contação de Histórias
Para a cursista Luciara Santos, a experiência mostrou que a educação pode acontecer de forma lúdica, afetiva e conectada com a nossa cultura e ancestralidade. “Como discente e futura professora quilombola, vivenciar essa atividade foi muito significativo para minha formação. Cada oficina, cada troca e, principalmente, a participação das crianças. Foi emocionante vê-las organizando a roda de capoeira, envolvendo os menores e valorizando elementos da nossa cultura. Para mim, esse momento reforça a importância de uma educação que reconheça os saberes quilombolas e fortaleça o sentimento de pertencimento. Agradeço a todos que contribuíram para que essa atividade acontecesse. Saio dessa experiência com ainda mais aprendizado e com a certeza de que, como futura professora, quero contribuir para uma educação que valorize nossas raízes, nossa história e nossa identidade”, afirmou.

Diversos elementos foram trabalhados durante oficinas
O professor Milton Pereira, Coordenador do Polo de Batalha, enfatizou a satisfação pelos resultados obtidos com a atividade. “Isso nos mostra que a turma Educação Escolar Quilombola de Batalha está evoluindo e levando seu trabalho de forma positiva para as comunidades quilombolas. Nós já estamos organizando o planejamento do IV INTERPARFOR e, a pedido dos cursistas, estamos planejando que o evento seja realizado na comunidade Quilombola Carnaúba Amarela, que tem como liderança o Sr. Lucimar Pereira, que atua neste semestre como Mestre do Notório Saber na nossa turma”.

Diversos elementos foram trabalhados durante oficinas
A professora Lucineide Morais, Coordenadora Adjunta do PARFOPR Equidade/UFPI, considera de extrema relevância o desenvolvimento de atividades dessa natureza nos cursos do PARFOR Equidade, pois, considerando suas especificidades, é necessário sempre articular os saberes científicos com os saberes experienciais dos públicos atendidos. “No caso particular, o envolvimento das crianças do quilombo constituiu-se em momento de rico aprendizado para todos, uma vez que oportunizou a valorização da cultura ancestral delas e da comunidade quilombola, frequentemente esquecida nas escolas. Estão de parabéns!”, ressaltou.

Cursistas de Educação Escolar Quilombola do Polo de Batalha
A professora Glória Ferro, Coordenadora Institucional do PARFOR/UFPI, parabenizou os envolvidos e ressaltou a importância de atividades de imersão em comunidades quilombolas para o processo de ensino e aprendizagem dos cursistas. “A imersão possibilita conhecer a realidade e a história das comunidades quilombolas, promover a valorização da cultura de matriz africana, respeitando os direitos e a força do povo quilombola. Importante dizer, também, que o professor que compreende a história e a cultura dos cursistas cria vínculos mais fortes e transforma a sua prática docente, por meio da troca de saberes. Essa imersão, particularmente, representa um investimento para que as crianças da comunidade quilombola Chapada do Urubu se orgulhem de sua identidade”.