3ª edição do Tecendo Cuidados em Saúde Mental debate o tema “Dependência Tecnológica e Valorização da Vida”

Evento reuniu a comunidade universitária para discutir os impactos do uso excessivo de tecnologia e estratégias para uma relação mais saudável com as telas

A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC), da Coordenadoria de Saúde, Bem-Estar e Qualidade de Vida (COSEB) e da Coordenadoria de Assistência Comunitária (CACOM), realizou, nesta quarta-feira (23), a 3ª edição do Tecendo Cuidados em Saúde Mental. Com o =, o encontro foi realizado no Auditório de Educação Física, localizado no Setor de Esportes do Campus Ministro Petrônio Portela, em Teresina.

A programação contou com a participação do pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários, Emídio Matos; da coordenadora da COSEB, Mara Jordana Magalhães; da coordenadora da CACOM, Rafaella Santiago; e da especialista em Prática Baseada em Evidências em Psicologia Clínica, psicóloga Vanessa Castelo.

Pró-reitor da PRAEC, Emídio Matos

A 3ª edição do evento abordou os impactos do uso excessivo da tecnologia na saúde mental, especialmente nos contextos acadêmico e profissional. O pró-reitor Emídio Matos destacou que a iniciativa busca promover o cuidado com a comunidade universitária e ampliar a discussão sobre os efeitos do uso inadequado das telas.

“Estamos pensando em cuidar das pessoas, de toda a comunidade universitária, pensando em saúde mental e, nesta edição, especialmente no cuidado com o uso da tecnologia e nos prejuízos que ela pode causar à nossa saúde. O uso excessivo altera o ciclo do sono, o que pode prejudicar o desempenho acadêmico. Depois, nós chegamos à experiência da biodança para fazer esse cuidado”, destacou.

Psicóloga clínica, Vanessa Castelo

Durante a palestra, Vanessa Castelo abordou a relação entre o uso de telas e a saúde mental e ressaltou que a proposta não é eliminar a tecnologia da rotina, mas desenvolver uma relação mais saudável e consciente com essas ferramentas. Segundo a psicóloga, entre os sinais de uma relação problemática com a tecnologia estão a dificuldade de controlar o tempo de uso, a prioridade excessiva dada a determinadas atividades, especialmente aos jogos, e a manutenção do comportamento mesmo diante de prejuízos na vida social, acadêmica e profissional.

“É importante reconhecer que função essas telas estão ocupando na nossa vida”, explicou Vanessa. De acordo com a psicóloga, compreender se o uso está relacionado à busca por conexão, ao entretenimento ou à tentativa de evitar determinadas situações pode contribuir para a construção de estratégias mais adequadas.

Entre as orientações apresentadas durante a atividade estão o monitoramento do tempo de uso, a definição de horários para utilização das telas e os cuidados com a higiene do sono. Vanessa também destacou a importância de estabelecer momentos presenciais com amigos e familiares, além de desenvolver maior tolerância ao tédio e à ansiedade sem recorrer imediatamente às telas.

A psicóloga ressaltou ainda que nem todas as pessoas que identificam prejuízos relacionados ao uso da tecnologia necessariamente apresentam um transtorno. Nesses casos, a busca por acompanhamento profissional pode contribuir para compreender a relação estabelecida com esses recursos e identificar formas de reorganizar a rotina.

Coordenadora da COSEB/UFPI, Mara Jordana Magalhães

Para Mara Jordana Magalhães, a discussão sobre tecnologia integra uma abordagem mais ampla de cuidado com a comunidade universitária. A coordenadora explicou que a COSEB trabalha na elaboração de ações descentralizadas e multidisciplinares voltadas aos diferentes centros da Universidade.

“Nós estamos pensando em desenvolver ações descentralizadas para vários centros aqui, por exemplo, de Teresina, mas não só de Teresina, como de toda a UFPI”, afirmou.

Biodança promove integração e bem-estar

Após a discussão sobre dependência tecnológica, o evento contou com uma atividade de biodança conduzida pelas professoras Maria do Amparo Alves e Taís da Fonseca. A prática proporcionou um momento de movimento, interação e expressão corporal entre os participantes.

Para Mara Jordana, ações como essa reforçam a compreensão de que o cuidado em saúde mental não se limita ao atendimento individual, mas também envolve atividades coletivas e práticas que favoreçam o bem-estar.

“O nosso objetivo é chegar a todos os estudantes da Universidade e propor práticas corporais que possam minimizar os problemas de saúde mental que os nossos estudantes enfrentam”, destacou.

A 3ª edição do Tecendo Cuidados em Saúde Mental encerrou a programação com o incentivo à construção de uma relação mais equilibrada e saudável com a tecnologia, valorizando seus benefícios e, ao mesmo tempo, promovendo a reflexão sobre os impactos do uso excessivo das telas na vida cotidiana.