
Na foto, Caio Cabral ao lado de seu orientador, o professor Napoleão Argôlo, e demais membros de banca examinadora de dissertação
A dissertação de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Tecnologias Aplicadas a Animais de Interesse Regional (PPGTAIR/UFPI) resultou na criação de um simulador gamificado para o estudo e exercício de situações clínicas virtuais de cães e gatos para estudantes de medicina veterinária. A pesquisa foi defendida em 31 de agosto deste ano.

Caio Cabral durante defesa de dissertação de mestrado
O estudo foi feito por Caio Cabral, formado em Sistemas de Informação, sob orientação do professor Napoleão Argôlo, pesquisador e idealizador do projeto. A proposta surgiu da necessidade de oferecer aos estudantes uma ferramenta para exercitar os conhecimentos para interpretar gasometrias e tomar decisões rápidas em situações complexas. “Os distúrbios ácido-base são um dos conteúdos mais importantes da medicina veterinária intensivista, e muitas vezes o aluno só tem contato real com esses casos em estágios avançados, quando já está sob pressão”, afirmou Caio.
Devido a essa problemática, Caio e seu orientador Napoleão criaram uma alternativa que contribuísse para o melhor entendimento dos alunos sobre o tema. ”Os estudantes de forma geral apresentam resistência a compreender profundamente os distúrbios ácidos básicos, que nada mais são que alterações do pH dos tecidos do corpo, e sem esse conhecimento toda atividade médica é comprometida”, pontuou Napoleão.
Para minimizar essa situação, e estimular a interligação entre teoria e prática clínica, transformaram o método de estudo em um jogo eletrônico, que não visa substituir o docente ou a necessidade de aulas teóricas, mas em acrescentar uma opção dinâmica de estudo. O simulador permite que o estudante vivencie a lógica do caso clínico sem colocar um paciente real em risco.
Sobre o funcionamento do simulador
O simulador apresenta casos clínicos de cães e gatos com distúrbios ácido-base. O usuário visualiza os parâmetros fisiológicos e aplica tratamentos como oxigenoterapia, fluidoterapia, bicarbonato, diuréticos, entre outros.
A cada decisão, o sistema recalcula os parâmetros e a "vitalidade" do paciente, representada pelos pontos de vida. O objetivo é estabilizar o animal, corrigindo o distúrbio principal e evitando intervenções desnecessárias.
Há também um sistema de dicas contextualizadas, feedback imediato e badges (medalhas) que reconhecem conquistas específicas, como diagnóstico preciso ou estabilização rápida.
A evolução clínica do animal acontece em tempo discreto, simulando o passar dos minutos no atendimento de emergência. Os parâmetros se alteram tanto pela gravidade do caso quanto pelos tratamentos escolhidos.
Se o usuário acertar a conduta, observa a normalização gradual, com o paciente se aproximando da estabilização. Se errar, o quadro se deteriora.
O histórico de decisões também fica registrado, permitindo que o aluno ou o professor, revise a sequência de escolhas e entenda onde o raciocínio clínico falhou.
A proposta do jogo é oferecer uma forma de exercitar e revisar os conteúdos estudados, favorecendo a memorização por meio da repetição de situações e decisões dentro do simulador. Para o uso mais amplo por escolas e hospitais veterinários, ainda é necessário expandir a biblioteca de casos e realizar validações pedagógicas mais abrangentes com diferentes instituições. “O jogo já foi desenvolvido e é funcional, mas ainda precisamos aperfeiçoar layout, elementos gráficos, rotinas de gamificação, expansão dos casos clínicos, para que seja cada vez mais dinâmico e atraente para os alunos”, destacou Napoleão.
Segundo Caio, o simulador vem para acrescentar a aprendizagem. O espaço oferece um ambiente controlado onde é possível repetir o cenário quantas vezes forem necessárias. “Além disso, desenvolve o raciocínio clínico e permite padronizar a exposição a casos raros ou complexos, que nem sempre aparecem nos estágios curriculares”, completou.