Projeto da UFPI cria laminário permanente para fortalecer o ensino de Biologia e atender escolas no Piauí

A graduanda em Biologia Islaine Gomes Sousa durante atividades no laboratório para a construção do laminário permanente

Iniciativa desenvolvida nos campi de Floriano e Teresina utiliza a cebola (Allium cepa L.) como modelo para o estudo de genética e citogenética, integrando estudantes da graduação, pós-graduação e a comunidade externa.

A articulação entre a teoria e as atividades práticas é fundamental para a consolidação do aprendizado e o desenvolvimento do senso crítico no ensino superior. Com o objetivo de enriquecer a aprendizagem prática e ampliar a infraestrutura didática, docentes e discentes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) estão desenvolvendo o projeto "Construção de um laminário permanente para análise de ciclo celular e de cariótipos da cebola (Allium cepa L.): uma abordagem didática para o ensino em Biologia". A iniciativa busca estruturar um acervo permanente e de fácil acesso para potencializar a formação acadêmica e o desenvolvimento científico na Instituição. 

A ação nasceu da observação da professora Lívia do Vale Martins durante sua atuação no curso de Biologia, no Campus de Teresina, e ao ingressar no curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEDOC), no Campus Amílcar Ferreira Sobral (CAFS), em Floriano. O projeto é desenvolvido em conjunto com os professores Marcones Ferreira Costa, Maria do Carmo Gomes Lustosa, Amando Matias e Júlio Vilela.

A coordenadora, Lívia Martins, reforça que o acervo em construção servirá de suporte direto para aulas práticas. “O projeto visa à construção de um laminário permanente destinado ao suporte de aulas práticas, constituindo-se como uma ferramenta facilitadora do processo de ensino e aprendizagem em Biologia, nas área de Biologia Celular, Citogenética, Genética e áreas afins.”, explica.

Ainda de acordo com a professora Lívia Martins, o laminário promove intregração: “Adicionalmente, o laminário poderá subsidiar ações de pesquisa e extensão, promovendo a integração entre diferentes atividades acadêmicas. Dessa forma, o projeto está diretamente relacionado ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo a formação acadêmica e científica dos estudantes e ampliando a interação entre a universidade e a comunidade.’’

Modelo biológico ideal e etapas de confecção

Os estudantes participantes realizam todas as etapas do processo preparatório, desde a germinação do material vegetal até a montagem final e etiquetagem das lâminas microscópicas. A espécie escolhida como modelo principal é a cebola (Allium cepa L.), amplamente reconhecida na literatura científica por suas características didáticas favoráveis.

A espécie apresenta poucos cromossomos de grande porte ( 2n = 16 ),o que facilita a germinação e fases do ciclo celular (mitose) facilmente visíveis ao microscópio. Além da cebola, a equipe projeta expandir a confecção de lâminas para outras espécies de importância agrícola, ecológica e econômica, como o feijão, a batata, o tomate, o pau-ferro, dentre outras espécies vegetais.  

Protagonismo discente na rotina de laboratório

A coordenadora do projeto, profa. Lívia do Vale Martins, ao lado de estudantes que integram a iniciativa de extensão

O projeto é executado diretamente pela discente de graduação em Biologia, Islaine Gomes Sousa, e conta com a colaboração de uma equipe multidisciplinar formada por seis mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (Campus Teresina): Grazielly Silva, Camila Torres, Luiz Monte, Marlon Pereira, Maria Luisa Pereira e Rôzy Carvalho, e sete graduandos em Biologia dos campi de Floriano e Teresina: Ana Julia Maroto, Idaiane Cristina Oliveira, Claudejane, Marton, Cleilson, Thaynara e Ezequias.

À frente da montagem técnica do acervo, a aluna Islaine Gomes Sousa destaca o impacto da experiência em sua trajetória acadêmica:

"Tem sido uma experiência muito importante. Como estou à frente da montagem técnica do laminário permanente, tenho acompanhado de perto todas as etapas do processo, desde o preparo das amostras até a montagem e a organização das lâminas. No laboratório, minha rotina envolve principalmente a preparação do material e a realização dos procedimentos necessários para que as amostras estejam adequadas à montagem. É  um trabalho minucioso que exige atenção, paciência e cuidado, pois cada etapa influencia diretamente a qualidade final das lâminas. ", explica a discente.

Islaine ressalta ainda a dimensão educacional do trabalho: "Acredito que contribui muito para a minha formação como futura pesquisadora e educadora.E acho muito interessante pensar que todo esse trabalho vai resultar em um laminário que poderá ser utilizado por outros alunos. " Ela ainda ressalta que isso a faz perceber a importância de produzir materiais que possam aproximar o conhecimento científico da sala de aula.

Extensão e integração com escolas do campo

Além de atender às demandas internas dos cursos de graduação da UFPI, o projeto possui forte compromisso com a extensão universitária e a popularização da ciência no interior do Estado.

Em breve, a equipe divulgará o passo a passo para a solicitação dos kits de lâminas didáticas por docentes da UFPI e por professores da rede pública de ensino, com atenção especial às escolas municipais e escolas do campo localizadas em Teresina, Floriano e municípios vizinhos. A proposta inclui a realização de minicursos, feiras de ciências e visitas guiadas aos laboratórios da Instituição.

Atualmente, o projeto aprovado está em fase de submissão para a obtenção de novas bolsas de incentivo acadêmico. Para acompanhar as novidades e o cronograma de atendimento, o público pode enviar e-mail para @Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e acessar os perfis oficiais no Instagram: @lcv.ufpi, @labqpn_ufpi e @ledoc_ufpi.