A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio da Administração Superior e do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicação (NUJOC-DCS), coordenado pela Profa. Ana Regina Rêgo, e, em parceria com o Instituto NUTES-UFRJ, promove o curso “Formação Docente em “Inteligência” Artificial Generativa (IAG)”. As aulas serão realizadas presencialmente entre os dias 21 e 25 de setembro, no Departamento de Jornalismo-Centro de Ciências da Educação (CCE) e ministradas pela Professora Sônia Cristina Vermelho, criadora do Curso e Coordenadora do Laboratório de Estudos das Ciências-LEC, vinculado ao Instituto NUTES de Educação, Ciência e Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Voltado à formação de docentes da UFPI, o curso foi estruturado para oferecer flexibilidade e aprofundamento teórico e prático. A proposta é contribuir para que os participantes compreendam o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial, utilizem-nas de maneira crítica e desenvolvam formas mais qualificadas de interação com essas tecnologias no contexto acadêmico e pedagógico.
A formação é organizada em módulos independentes, permitindo que cada participante escolha o percurso mais adequado às suas necessidades de pesquisa e prática docente. Ao todo, serão disponibilizadas 40 vagas, distribuídas em duas turmas: uma no período da manhã, das 8h30 às 12h, e outra à tarde, das 14h30 às 18h. As inscrições para docentes serão realizadas por meio de formulário eletrônico, neste link para a Turma 1 (manhã) e neste link para a Turma 2 (tarde).
Para a professora Sônia Cristina Vermelho, a expansão da inteligência artificial generativa, especialmente entre os estudantes, exige uma reflexão sobre os modelos pedagógicos adotados pelas universidades. Segundo ela, como o conhecimento deixou de estar restrito aos livros e aos docentes e passou também a estar disponível por meio das ferramentas de IA, é necessário que os professores compreendam essas tecnologias para decidir, de forma autônoma, como e em que medida podem e devem incorporá-las ou não, às práticas de ensino.
“Os alunos vão usar, não adianta proibir. Então, o melhor caminho é nós conhecermos [a “inteligência” artificial] para que a gente possa fazer um trabalho em que, se for o caso de não usar a IA, a gente saiba organizar um processo educativo. Ou, se ela fizer parte do processo, a gente precisa saber de que maneira ela vai ser incorporada”, destaca.
Sobre o curso e os três módulos
Sônia Cristina Vermelho explica que o curso foi estruturado em três módulos independentes e complementares, apoiados por livros didáticos elaborados especificamente para a formação docente no ensino superior. O primeiro módulo apresenta fundamentos e usos da IA no contexto universitário, enquanto os módulos seguintes aprofundam aspectos relacionados à tecnologia e à engenharia de prompts.
Embora os participantes possam realizar os módulos separadamente, a professora recomenda a realização dos três para uma formação mais abrangente.
“Os livros são o material didático do curso. Cada módulo aborda a inteligência artificial em diferentes níveis de profundidade. O módulo um trabalha em um nível mais básico o uso da IA no ensino superior, enquanto os módulos dois e três são mais aprofundados. Eles são independentes, mas, para uma formação mais completa, o ideal é fazer os três módulos”, acrescenta.
Curso I: Crítica da Razão Artificial

O primeiro módulo utiliza como material didático o livro “Crítica da Razão Artificial” e busca apresentar fundamentos sobre o funcionamento da IA generativa. Entre os conteúdos abordados estão a arquitetura transformer, os modos de processamento e a relação entre a tecnologia e os aspectos pedagógicos.
A proposta é possibilitar que o professor compreenda, ainda que de forma introdutória, o que ocorre por trás das respostas produzidas pela IA evitando tratá-la como uma ferramenta que simplesmente “sabe tudo”, objetivando assim, desvelar a potência aletheica da máquina.
Curso II: Anatomia da IAG

O segundo módulo tem como material didático o livro “Anatomia da Inteligência Estatística’ e apresenta maior densidade teórica. O conteúdo aborda como os assistentes de inteligência artificial produzem respostas, diferenciando, por exemplo, o conhecimento adquirido durante o treinamento das informações fornecidas no contexto de uma conversa.
A compreensão desses processos contribui para que o professor reconheça não apenas as capacidades, mas também as limitações das ferramentas de IA reduzindo o risco de aceitar informações equivocadas como verdadeiras.
Curso III: Organon do Diálogo Generativo

O terceiro módulo utiliza o livro “Organon do Diálogo Degenerativo” e é voltado às técnicas básicas e avançadas de elaboração de prompts. A formação também propõe uma abordagem contemporânea e crítica sobre o impacto social e os limites epistemológicos das ferramentas de inteligência artificial.
Com caráter mais aplicado, o módulo trabalha a engenharia de prompts e apresenta formas mais sofisticadas de orientar a IA para a obtenção de resultados adequados às diferentes necessidades acadêmicas e pedagógicas.