
Professor Osmar Cardoso durante minicurso em universidade portuguesa
O professor Osmar de Oliveira Cardoso, do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Comunidade (PPGSC) e do Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), ministrou, nesta quinta-feira (23), o minicurso "Territórios Quilombolas, Entre Lugar e Pesquisa em Saúde no Estado do Piauí" no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT-UNL), em Portugal. A atividade reuniu pesquisadores, docentes, estudantes de pós-graduação e profissionais de saúde para discutir a interface entre territórios quilombolas, práticas de cuidado e produção científica sob uma perspectiva decolonial.
Com carga horária de quatro horas, o minicurso abordou temas como a história e a territorialidade quilombola no Piauí, os protocolos éticos e legais para pesquisas com populações étnicas, a cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, indicadores epidemiológicos, a saúde da mulher quilombola e o acesso à água como determinante da saúde ambiental.
Segundo o professor Osmar Cardoso, iniciativas como essa fortalecem o papel da divulgação científica na aproximação entre universidades e comunidades tradicionais. "Tornar público o conhecimento produzido sobre os territórios quilombolas vai além de uma exigência acadêmica. É um compromisso ético com populações historicamente invisibilizadas nos sistemas de informação em saúde e nas políticas públicas", destacou.
O docente ressaltou que a divulgação dos resultados das pesquisas também representa uma forma de devolutiva às comunidades participantes. "Dar visibilidade às pesquisas realizadas nesses territórios contribui para que o conhecimento retorne às comunidades que possibilitaram sua construção, evitando que a produção científica se restrinja à coleta de dados sem retorno social", afirmou.
Outro aspecto enfatizado pelo professor foi o reconhecimento dos saberes tradicionais. "Ao promover uma abordagem decolonial, valorizamos práticas de cuidado desenvolvidas por parteiras tradicionais, benzedeiras e outros agentes comunitários, colocando esses conhecimentos em diálogo com a biomedicina, sem estabelecer hierarquias entre eles", explicou.
Para Osmar Cardoso, a divulgação científica também contribui para a qualificação das políticas públicas. "Indicadores produzidos por instrumentos como o PCATools oferecem subsídios importantes para gestores ampliarem a cobertura do SUS e enfrentarem desigualdades que afetam especialmente mulheres e crianças quilombolas", observou.
O professor acrescentou que atividades acadêmicas dessa natureza também colaboram para a formação de pesquisadores e gestores mais preparados para atuar em comunidades tradicionais. "Discutir aspectos éticos e metodológicos amplia a compreensão sobre a necessidade de desenvolver pesquisas respeitosas e comprometidas com as especificidades dos territórios quilombolas", disse.
Ao destacar a cooperação entre as instituições, Osmar Cardoso afirmou que a parceria entre a UFPI e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa amplia as possibilidades de produção científica conjunta. "A colaboração entre instituições lusófonas fortalece redes internacionais de pesquisa e contribui para a construção de conhecimentos voltados à promoção da equidade racial e territorial", concluiu.
A realização do minicurso integra as ações de cooperação acadêmica entre o IHMT-UNL, o NESP e o PPGSC/UFPI.