O evento teve como objetivo promover o diálogo e a conscientização sobre a violência de gênero no ambiente acadêmico
Na manhã desta quinta-feira (25), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) realizou a primeira roda de conversa sobre violência de gênero no contexto universitário. A atividade aconteceu no Auditório Prof. Afonso Sena, no Centro de Ciências da Natureza (CCN), e foi idealizada pela Superintendência de Gestão de Pessoas (SGP/UFPI).
O evento teve como objetivo promover o diálogo e a conscientização sobre a violência de gênero no ambiente acadêmico, contribuindo para a construção e a manutenção de espaços mais saudáveis, seguros e respeitosos para toda a comunidade universitária. A ação foi voltada a servidores, estudantes e trabalhadores terceirizados da Instituição.

Superintendente de Gestão de Pessoas da UFPI, Ulisses Meireles
O superintendente de Gestão de Pessoas da UFPI, Ulisses Meireles, destacou que o debate busca sensibilizar a comunidade universitária para a gravidade do tema.
“A SGP propõe este debate sobre a violência de gênero na UFPI com o objetivo de conscientizar a comunidade acadêmica sobre a gravidade da situação. Buscamos sensibilizar nossos servidores, estudantes e colaboradores terceirizados acerca da necessidade de tratar todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero, com humanidade e ética. Esta reunião é destinada a todos os integrantes da comunidade: servidores, discentes e profissionais terceirizados”, afirmou.

Professora Rita Sobral
A professora do curso de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPI, Rita Sobral, ressaltou a importância de abordar o tema no ambiente universitário, que, segundo ela, ainda enfrenta resistências quando o assunto é violência de gênero.
“Considero este tema de extrema relevância, uma vez que a Universidade, frequentemente idealizada como um reduto sagrado da intelectualidade, é, na realidade, um espaço permeado por dinâmicas sociais complexas. A crença de que a violência não alcança o ambiente acadêmico é desmentida por dados alarmantes em todo o Brasil, conforme atestam relatórios sobre a incidência de violência contra a mulher em instituições públicas de ensino superior. Entendo que discutir essa temática é fundamental para fomentar a reflexão coletiva e implementar medidas eficazes para conter e prevenir a violência no meio acadêmico”, pontuou.

Assistente social da Sala Lilás, Ana Kely Braga
A assistente social da Sala Lilás Janaína Bezerra, Ana Kely Braga, também enfatizou a relevância do debate e destacou o trabalho desenvolvido pelo setor no acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher na UFPI.
“Este debate é de suma importância, visto que a violência de gênero encontra-se enraizada em nossa sociedade, afetando as mulheres de diversas maneiras, e o ambiente universitário não está isento dessa realidade. Como equipe técnica da Sala Lilás, acompanhamos diariamente casos de violência contra a mulher dentro da instituição; em muitos desses episódios, as vítimas sequer identificam que estão em uma situação de vulnerabilidade. Portanto, promover essa discussão junto à comunidade acadêmica é fundamental para conscientizar as mulheres sobre a existência de canais de suporte, como a Sala Lilás, que atua como uma rede de apoio tanto para a identificação de violências quanto para a articulação de políticas efetivas de enfrentamento”, explicou.

Servidora da UFPI, Alinne Meneses
Recém-chegada à UFPI, a servidora Alinne Meneses comentou sobre a importância de discutir a temática, especialmente pela relação com sua atuação profissional.
“Eu sou servidora aqui da UFPI e vou começar a trabalhar na universidade agora. Acho muito importante, ao iniciar um trabalho em um novo espaço, conhecer as demandas e os desafios desse ambiente. A violência de gênero é uma realidade conhecida não apenas na UFPI, mas em diversas universidades, e é uma temática muito importante para o meu trabalho como assistente social e também para os estudantes. Por isso, considero fundamental a participação de toda a comunidade acadêmica”, relatou.
A roda de conversa contou ainda com a participação da coordenadora da Sala Lilás, Nayara Marques, e teve mediação da médica do trabalho da SGP/UFPI, Lilian Rêgo.
A iniciativa integra as estratégias desenvolvidas pela SGP para o cumprimento do Decreto nº 12.122/2024, que institui o Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação no âmbito da Administração Pública Federal Direta, Autárquica e Fundacional. A proposta é fortalecer, na universidade, a cultura do respeito, da equidade e da prevenção às diversas formas de violência e discriminação.
A roda de conversa tem transmissão ao vivo no canal da UFPI no YouTube.
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