Pesquisadora da UFPI desenvolve suplemento alimentar proteico a partir de resíduos da filetagem de tilápia

 Suplemento proteico feito a partir de coprodutos da filetagem de tilápia

A nutricionista e mestre em Alimentos e Nutrição pelo Programa de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição (PPGAN), Nagylla Maria Alves Canuto, desenvolveu em sua dissertação um suplemento proteico encapsulado utilizando coprodutos da filetagem de tilápia, transformando resíduos que seriam descartados no ambiente em ingrediente alimentício de alto valor comercial. 

O projeto teve como ponto de partida a preferência de consumidores pela tilápia como alternativa à carne bovina, suína e de frango em suas dietas na busca por um estilo de vida mais saudável. No entanto, o corte preferencial da tilápia mais consumida é o filé, enquanto o resto do peixe não é aproveitado. A partir disso, Nagylla realizou análises de composição centesimal, físico-químicas, microbiológicas, vida de prateleira e do perfil de aminoácidos da proteína extraída. O desenvolvimento de um suplemento proteico a partir de coprodutos da filetagem de tilápia demonstrou ser uma alternativa tecnicamente viável, sustentável e alinhada às demandas atuais por novos ingredientes de origem animal com alto valor nutricional. 

Nagylla Maria Alves Canuto

De acordo com Nagylla, as partes não aproveitadas da tilápia possuem um alto valor nutricional reaproveitável.

“Após as análises realizadas foi possível perceber que esses coprodutos apresentam elevado teor protéico, contendo todos os aminoácidos essenciais que são importantes para a manutenção e recuperação da massa muscular. Também são encontrados minerais como cálcio, fósforo, magnésio e zinco, além de peptídeos bioativos. Tornando assim esses coprodutos uma excelente matéria-prima para uso como fonte alternativa na elaboração de suplemento alimentar”, explica.

A pesquisadora ainda ressalta que foram considerados vários critérios exigidos que exigem que o produto tenha qualidade e conteúdo energético.

“A formulação foi definida considerando critérios nutricionais, tecnológicos e parâmetros da legislação vigente sobre suplemento alimentar. Do ponto de vista nutricional, buscou-se maximizar o teor proteico e garantir um perfil adequado de aminoácidos. Em relação aos aspectos tecnológicos, foram avaliadas características como estabilidade, solubilidade, umidade e conservação do produto. Além disso, foram observadas as exigências da legislação vigente para suplementos alimentares”, ressalta.

Além disso, a crescente preocupação com o desperdício de alimentos e a necessidade de promover sistemas produtivos mais sustentáveis reforçam a importância de pesquisas voltadas ao aproveitamento integral das partes não consumidas.

 

Profa. Maria Christina Sanches Muratori

A orientadora de Nagylla e docente do PPGAN, Maria Christina Sanches Muratori, conta que a pesquisa segue os objetivos de extensão e sustentabilidade da UFPI. 

“Quando a gente pega um resíduo que iria para o lixo e transforma em um suplemento proteico de alto valor biológico que pode ser colocado no mercado por um custo acessível, a gente entende que está chegando a comunidade e consequentemente alinhado aos objetivos de extensão e sustentabilidade”, conta.

A docente destaca ainda que a metodologia do estudo será patenteada e tem alto potencial para a aplicação e formulação de outros produtos.

“As perspectivas de patente e parcerias são excelentes. A metodologia utilizada para recuperar as proteínas é de baixo custo e utilizamos o que a indústria chama de processo verde. Sendo justamente o que a indústria busca para conseguir certificação. Entendemos que essa pesquisa pioneira no Piauí foi só o primeiro passo para patentear a metodologia e a partir disso desenvolver uma gama de produtos funcionais aproveitando o concentrado protéico que pode ser utilizado como base para inúmeros alimentos”, finaliza.

Procedimento de produção do suplemento desenvolvido na pesquisa.

O desenvolvimento de um suplemento proteico a partir de coprodutos da filetagem de tilápia demonstrou ser uma alternativa tecnicamente viável, sustentável e alinhada às demandas atuais por novos ingredientes de origem animal com alto valor nutricional. A utilização dos coprodutos permitiu maximizar o aproveitamento da matéria-prima, reduzindo desperdícios e agregando valor a frações que, tradicionalmente, seriam destinadas a usos de baixo retorno econômico.

A pesquisa foi desenvolvida no Núcleo de Estudos, Pesquisa e Processamento de Alimentos (NUEPPA) da UFPI. O suplemento foi desenvolvido com o apoio da equipe do NUEPPA, incluindo os alunos que compõem o núcleo: Mariane Próspero Alves, Beatriz Santos da Costa, Lorena Santos de Jesus Andrade, Euzebio da Silva Cruz, Karine Hellen Carvalho de Oliveira e Matheus José Gomes Costa.