
Momento de ação do projeto Seleção participativa com feijão-fava em comunidades rurais
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) desenvolve o projeto de pesquisa “Seleção participativa com feijão-fava em comunidades rurais”, iniciativa que aproxima pesquisadores e agricultores familiares para identificar variedades mais produtivas e adaptadas às necessidades do campo. Neste ano, as ações são realizadas nos municípios de Várzea Grande e Tanque do Piauí, dando continuidade ao trabalho desenvolvido anteriormente também em Francinópolis.
Os experimentos são implantados diretamente nas propriedades dos agricultores, que participam ativamente das avaliações por meio de oficinas e metodologias participativas. Durante o processo, os produtores analisam características como desenvolvimento das plantas, quantidade de vagens, qualidade e tamanho das sementes, resistência a pragas e potencial produtivo.
Segundo as coordenadoras do projeto, Regina Lucia Ferreira-Gomes e Ângela Celis de Almeida Lopes, a proposta busca integrar o conhecimento científico à experiência de quem trabalha diariamente no campo. “A metodologia de seleção participativa tem se mostrado eficiente porque leva em consideração a opinião do agricultor, diferente do melhoramento clássico, em que a definição do que é melhor fica apenas sob responsabilidade do pesquisador”, destacam.
A professora Regina Ferreira-Gomes explica ainda que as pesquisas tiveram início em 2023 e envolvem variedades crioulas conservadas por agricultores ao longo de gerações, além de linhagens melhoradas obtidas por cruzamentos. O projeto conta com apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Várzea Grande e Francinópolis, da Prefeitura de Tanque do Piauí e da UFPI.
Para a professora Ângela Lopes, os estudos evidenciam o potencial do feijão-fava para fortalecer a agricultura familiar e promover o desenvolvimento sustentável da região. “Ao incluir os produtores no processo de seleção, a pesquisa identifica características valorizadas no campo, como produtividade, resistência a pragas e doenças, uniformidade e tamanho dos grãos, além de fortalecer a conservação das sementes crioulas”, ressalta.
As pesquisas também avaliam materiais conservados no Banco de Germoplasma de Phaseolus da UFPI, buscando identificar variedades com maior estabilidade produtiva e adaptação às condições do Nordeste. Entre os resultados já obtidos, destacam-se linhagens com elevado potencial para cultivo nos estados do Piauí, Ceará e Maranhão.
O professor Edmilson Gomes de Oliveira, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), Campus de José de Freitas, que participa do desenvolvimento da pesquisa, explica que o trabalho é realizado em parceria com agricultores familiares e instituições locais. “As pesquisas são desenvolvidas nas propriedades dos agricultores e as avaliações acontecem por meio de oficinas participativas, que combinam as preferências dos produtores no desenvolvimento de novas cultivares”, afirma.
Ele acrescenta que um dos objetivos do projeto é obter cultivares de crescimento determinado com potencial para produção comercial e informa que já está em andamento o processo de solicitação de cadastro da variedade crioula de feijão-fava ‘Boca de Moça’ junto ao Ministério da Agricultura.
Além dos impactos para o setor produtivo e para as comunidades rurais, o projeto também contribui para a formação de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, aproximando a universidade das demandas da agricultura familiar e incentivando soluções construídas em conjunto com os produtores.
O estudante de doutorado do Programa de Pós-graduação em Agronomia, João Vitor Morais Sousa, destacou que a participação direta dos agricultores no processo de pesquisa promove uma troca de conhecimentos que fortalece tanto a ciência quanto a formação dos futuros profissionais. “O melhoramento participativo integra o conhecimento do pesquisador e do agricultor. Essa troca de experiências é fundamental para nossa formação acadêmica e profissional, além de nos tornar mais sensíveis às necessidades da agricultura familiar e ao papel que podemos desempenhar na melhoria da qualidade de vida dessas comunidades”, afirmou.
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