
Os autores Albemerc Moraes e Luzinete Fontenele durante o lançamento dos cordéis (Foto: David Barbosa)
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) está cheia de Luizas e Joaquins. Jovens que deixam suas cidades no interior do estado para buscar, na capital, a formação acadêmica que pode transformar suas vidas e as comunidades de onde vieram. Os personagens dos cordéis Luiza e os Amigos do Ser Tão Sol e Joaquim e os Amigos do Ser Tão Sol, lançados nesta quinta-feira (11), 18h, durante o Bate-Papo Literário do Salão do Livro do Piauí (Salipi), nasceram justamente dessa realidade vivida por milhares de estudantes da instituição.
Os autores das obras, Albemerc Moraes e Luzinete Fontenele, emocionaram-se ao apresentar os livros porque também se reconhecem nas trajetórias que ajudaram a construir. Albemerc saiu de Oeiras para estudar na UFPI. Luzinete nasceu no sertão e deixou Piracuruca ainda criança em busca de oportunidades educacionais. Assim como Luiza e Joaquim, ambos carregavam o sonho de retornar às suas origens levando conhecimento, inovação e desenvolvimento.
As publicações integram as ações do projeto Ser Tão Sol, iniciativa do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Energia Solar do Piauí (GIPES) e da Liga Acadêmica de Energia Solar (LASOL), que utiliza a energia solar como instrumento de transformação social no semiárido piauiense.

Sessão de lançamento foi prestigiada pela comunidade acadêmica e convidados (Foto: David Barbosa)
Segundo Albemerc Moraes, a ideia dos novos cordéis surgiu a partir da experiência acumulada em projetos que unem energia solar, cultura popular e desenvolvimento social. “Os primeiros cordéis foram criados para divulgar os projetos de energia solar social e as oficinas realizadas no Escolas Solares. Isso nos motivou a continuar essa jornada. Agora, com o crescimento do Ser Tão Sol e o apoio do Instituto Clima e Sociedade, que tem ampliado nossas ações e intercâmbios nacionais e internacionais, pensamos em criar novos produtos para divulgar o projeto por meio da literatura de cordel”, explicou.
O professor conta que Luiza e Joaquim foram inspirados em histórias reais de jovens do interior que precisam deixar suas cidades para cursar o ensino superior, mas mantêm vivo o desejo de contribuir com suas comunidades. “Eles representam jovens que saem do sertão para estudar na UFPI e retornam para transformar vidas. Um escolhe a Engenharia, mesmo contrariando a expectativa do pai de cursar Direito. A outra opta pela Agroecologia, embora a mãe sonhasse vê-la na Medicina. Queríamos mostrar que diferentes profissões também podem promover mudanças profundas no sertão e na vida das pessoas”, destacou.
Além de divulgar o projeto, os cordéis têm um propósito solidário. Toda a renda obtida com a venda dos exemplares será destinada ao Ser Tão Sol. “No ano passado, a comercialização dos cordéis ajudou a implantar um sistema de energia solar na comunidade Alecrim, em Esperantina. Agora, queremos ampliar esse impacto. Hoje temos cerca de 50 comunidades cadastradas e prontas para receber sistemas de energia solar. O que falta são recursos, e o cordel é uma forma de captar apoio para levar energia, água e esperança a mais famílias”, afirmou.
Para Luzinete Fontenele, a construção das histórias foi também um reencontro com sua própria trajetória. “Nasci no sertão e saí muito cedo para estudar. Sempre tive o sonho de levar sustentabilidade, inovação, tecnologia e melhoria para o meu lugar. Quando conheci a história do Ser Tão Sol, me identifiquei imediatamente. Pensei em como poderia inspirar outras Luzinetes, outras Luizas, outros Joaquins e outros Albemercs a acreditarem nos seus sonhos e trabalharem pelo desenvolvimento das suas comunidades”, relatou.
A cordelista destacou ainda a importância de apresentar as obras no Salipi, um dos maiores eventos literários do estado. “O cordel conversa com tudo, porque é a expressão da palavra em forma de poesia. O Salipi respira literatura, e o cordel é uma das manifestações mais autênticas da literatura popular. Trazer essas histórias para esse espaço é muito significativo”, afirmou.
Os dois cordéis apresentam personagens que encontram na educação, na ciência e na inovação caminhos para transformar a realidade do sertão piauiense. Nas histórias, Luiza escolhe cursar Agroecologia e Joaquim segue a Engenharia, ambos na UFPI, unindo-se posteriormente ao projeto Ser Tão Sol para levar soluções sustentáveis às comunidades rurais.
O lançamento contou com a presença da reitora Nadir Nogueira, do pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Rodrigo Veras, e do pró-reitor de Planejamento e Orçamento, Marcos Lira. Também participaram integrantes da Liga Acadêmica de Energia Solar (LASOL), estudantes de Engenharia Elétrica e apoiadores do projeto.

Os estudantes Adeilton e Teresa representam as Luizas e os Joaquins da UFPI
Entre os presentes estavam dois jovens que serviram de inspiração para a construção dos personagens: Adeilton Silva, natural de Alegrete, e Teresa Cristina Carvalho, de Picos. Assim como Luiza e Joaquim, eles representam estudantes que deixaram suas cidades em busca de formação acadêmica e hoje ajudam a construir soluções para o desenvolvimento sustentável do semiárido.
Os autores agradeceram o apoio institucional que tornou possível a publicação das obras, com destaque para a Superintendência de Comunicação Social (SCS), a Gráfica Universitária e a Editora da UFPI, responsáveis pela produção editorial dos cordéis.
Os cordéis podem ser comprados na Livraria Monsenhor Melo, localizada no Espaço Rosa dos Ventos da UFPI. Toda a renda das vendas é revertida para o Projeto Ser Tão Sol.