
Projeto estimula hábitos saudáveis a partir de atividades lúdicas
Promover saúde, inclusão e autonomia por meio de atividades educativas e lúdicas. Esse é o propósito do projeto de extensão Arco-Íris de Sorrisos, desenvolvido na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e voltado para crianças com necessidades específicas ou deficiência. A iniciativa reúne estudantes de diferentes cursos da área da saúde e busca ampliar o acesso à informação e aos cuidados relacionados à higiene oral.
O projeto surgiu a partir de uma ação da Liga Acadêmica Multidisciplinar de Saúde da Pessoa com Deficiência da UFPI. Segundo a coordenadora, professora Giovanna de Oliveira Libório Dourado, a ideia nasceu após uma visita ao Projeto de Extensão de Atividades Motoras para Pessoas com Autismo (PREMAUT).
“Após uma visita ao PREMAUT, um dos alunos, Carlos Roberto, sugeriu a criação de um projeto voltado à higiene oral. A partir dessa ideia, começamos a construir coletivamente o que viria a ser o Arco-Íris de Sorrisos”, explica.
Com o crescimento da iniciativa, o projeto evoluiu e passou a se chamar “Limpinho e Feliz”, ampliando sua atuação para além da saúde bucal. Atualmente, as ações abordam diferentes aspectos relacionados à higiene e ao cuidado com o corpo, sempre de forma adaptada às necessidades das crianças.

Projeto da UFPI também tem característica multidisciplinar
De acordo com a coordenadora, a ampliação ocorreu de forma natural devido ao caráter multidisciplinar da equipe.
“Por sermos um projeto formado por estudantes de diferentes cursos da área da saúde, novas ideias surgiam constantemente. Percebemos que poderíamos ir além da saúde bucal e ampliar nossas ações”, afirma.
Aprendizagem por meio do lúdico
As atividades são planejadas para despertar o interesse das crianças e facilitar a compreensão dos conteúdos. Entre as estratégias utilizadas estão histórias interativas, demonstrações em maquetes odontológicas e atividades práticas de escovação supervisionada.
“O maior desafio é conquistar a atenção e o interesse da criança. Tudo precisa ser apresentado de maneira simples, acessível e lúdica para estimular a participação e a interação”, destaca Giovanna.
Carlos Roberto Gomes, vice-presidente da Liga Acadêmica Multidisciplinar de Saúde da Pessoa com Deficiência e um dos coordenadores do projeto, explica que as ações são adaptadas conforme o local e o número de participantes.
“Nós costumamos contar uma história lúdica sobre a importância da higiene bucal por meio de um livro interativo produzido pela equipe. Depois mostramos a forma correta de escovação em uma maquete grande e, em seguida, as crianças praticam os movimentos utilizando modelos menores”, relata.
Em locais que contam com escovódromo, também são realizadas atividades de escovação supervisionada utilizando um corante evidenciador de placa bacteriana, que facilita a visualização das áreas que precisam de maior atenção durante a higiene oral.
Além das atividades com as crianças, o projeto também dedica atenção especial aos pais e cuidadores. Enquanto uma equipe conduz as ações educativas, outra acompanha os familiares, esclarecendo dúvidas e compartilhando orientações.
Segundo Giovanna, muitos responsáveis relatam dificuldades relacionadas aos cuidados diários e à rotina de higiene das crianças. O projeto busca acolher essas experiências e oferecer suporte sem julgamentos.
“Nosso trabalho envolve escuta, acolhimento e orientação. Procuramos valorizar os esforços das famílias, apresentar alternativas e fortalecer a confiança dos cuidadores no processo de cuidado”, afirma.
Carlos Roberto observa que muitos familiares enxergam como um problema o fato de a criança querer realizar a escovação apenas na presença dos pais. Para a equipe, porém, esse comportamento pode representar uma oportunidade de fortalecimento dos vínculos afetivos.
“A gente tenta mostrar que esse momento também é uma demonstração de carinho e atenção. Procuramos incentivar os pais e reconhecer o esforço que eles fazem diariamente”, destaca.
Impactos dentro e fora da Universidade
As experiências desenvolvidas pelo projeto já demonstram resultados positivos. Entre eles estão o aumento do interesse das famílias pelos cuidados com a saúde bucal, a busca por acompanhamento odontológico e o fortalecimento da autonomia das crianças durante a escovação.
As ações também contribuem para a formação dos estudantes envolvidos. Os extensionistas participam da elaboração de materiais educativos, do planejamento das atividades e da produção de trabalhos científicos.
Para a professora Giovanna, a maior recompensa está no crescimento dos alunos e na transformação promovida pela extensão universitária.
“A extensão universitária transforma não apenas o público atendido, mas também todos aqueles que participam do processo. O projeto promove impactos humanos, acadêmicos e sociais muito significativos, fortalecendo a relação entre universidade e comunidade”, conclui.