Conservação de sementes de pimenteiras é destaque em pesquisa do mestrado em Biodiversidade e Conservação do Campus de Floriano

Francisca Aparecida de Sousa desenvolveu o estudo no PPG em Biodiversidade e Conservação (PPGBC/UFPI)

A conservação de recursos genéticos vegetais tem papel estratégico para a agricultura, e um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conversação do Campus Amílcar Ferreira Sobral (CAFS), da Universidade Federal do Piauí, reforça essa importância ao analisar a qualidade de sementes de pimenteiras armazenadas ao longo dos anos.

A pesquisa, em âmbito de mestrado, teve como objetivo analisar como o tempo de armazenamento influencia a qualidade fisiológica das sementes de Capsicum annuum conservadas em coleção de germoplasma. Foram avaliadas sementes de diferentes safras, permitindo um olhar atento às variações na germinação, no vigor e no desenvolvimento das plântulas.

De acordo com o professor orientador, Raimundo Nonato Oliveira, o estudo buscou compreender a relevância da conservação dessas sementes para a agricultura. “As pesquisas voltadas à conservação de germoplasma são fundamentais porque o germoplasma representa a base genética disponível para o presente e para o futuro da agricultura. No caso das pimenteiras, essa relevância é ainda maior, pois o gênero Capsicum possui ampla diversidade genética, considerando suas formas, cores, tamanhos, sabores, níveis de pungência, usos ornamentais, culinários, medicinais e agroindustriais”, explica.

A partir das análises realizadas, a pesquisa identificou diferenças significativas na qualidade das sementes ao longo dos anos, evidenciando a importância de condições adequadas de armazenamento.

Segundo a pesquisadora Francisca Aparecida de Sousa, responsável pelo estudo, os resultados mostram impactos diretos do tempo e do manejo na qualidade das sementes. “Os resultados mostraram que o tempo de armazenamento e as condições de manejo influenciaram diretamente a qualidade das sementes. Os lotes das safras de 2023 e 2020 apresentaram melhor desempenho germinativo, maior vigor e melhor desenvolvimento das plântulas, indicando maior viabilidade fisiológica.

Já as sementes da safra de 2021 apresentaram menor porcentagem de germinação, menor velocidade germinativa e plântulas menos vigorosas. Esse resultado foi associado às limitações causadas pela pandemia, que comprometeram etapas importantes do manejo pós-colheita, como colheita adequada, limpeza, secagem e armazenamento das sementes.

Além disso, o estudo demonstrou que sementes armazenadas em ambiente refrigerado e em embalagens adequadas conseguem manter melhor sua qualidade ao longo do tempo”, explica.

O estudo reforça a importância da conservação adequada de sementes como estratégia para garantir a preservação da biodiversidade e o fortalecimento da agricultura. Ao evidenciar como o armazenamento influencia diretamente a qualidade fisiológica das sementes, a pesquisa contribui para o desenvolvimento de práticas mais eficientes e amplia as possibilidades de uso das pimenteiras em diferentes contextos produtivos.

“Os resultados dessa pesquisa reforçam a importância da conservação adequada de sementes em coleções de germoplasma, contribuindo para a preservação da diversidade genética das pimenteiras e para a disponibilidade de sementes de qualidade no futuro. Além disso, o estudo pode servir de base para futuras pesquisas relacionadas ao melhoramento genético, conservação ex situ, qualidade fisiológica de sementes e estratégias de armazenamento de espécies do gênero Capsicum ”, finaliza a pesquisadora.