Projeto da UFPI leva Ciência de Dados a alunos de escolas públicas em Bom Jesus (PI)

A iniciativa visa inserir estudantes do interior no campo da Ciência de Dados para redução da desigualdade e acompanhamento da inovação tecnológica

Enquanto algoritmos e dados moldam decisões no mundo todo, em Bom Jesus, no sul do Piauí, uma iniciativa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) tem levado esse universo para dentro das escolas públicas. O projeto “Difusão de Ciências de Dados nas Escolas Públicas de Bom Jesus - PI” introduz estudantes ao campo da Ciência de Dados, ainda pouco presente na educação básica, com o objetivo de reduzir desigualdades educacionais e preparar jovens para as novas demandas da sociedade, por meio de atividades práticas e acessíveis. 

Coordenado pelo professor Artur Mendes Medeiros, o projeto nasceu da observação de duas questões centrais: o crescimento acelerado da Ciência de Dados na sociedade contemporânea e a lacuna existente no ensino básico em relação a esse campo. Apesar de vivermos em uma era marcada pelo uso intensivo de dados, muitos alunos da rede pública ainda têm pouco contato com conceitos fundamentais de estatística e análise de informações. 

“O problema central que buscamos enfrentar é justamente essa defasagem educacional, além da baixa utilização de tecnologias no ambiente escolar e de um ensino ainda pouco conectado com aplicações práticas”, explica o coordenador. Segundo ele, a proposta é democratizar o acesso ao conhecimento em ciência de dados, reduzir desigualdades educacionais e preparar os estudantes para as demandas do mundo atual. 

O projeto é vinculado à Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio do Núcleo de Pesquisa Ensino e Extensão em Estatística e Melhoramento (NPE3M), localizado no Campus Professora Cinobelina Elvas (CPCE), e atua em parceria com escolas públicas do município de Bom Jesus. A atuação ocorre de forma integrada: professores da universidade exercem funções de coordenação e supervisão, enquanto estudantes da graduação participam como bolsistas e monitores. A UFPI também oferece suporte técnico, formação e, quando necessário, recursos logísticos e materiais. 

As atividades são desenvolvidas com uma metodologia prática, participativa e adaptada à realidade dos alunos. Entre as estratégias utilizadas estão: 

  • Rodas de conversa: para entender o nível de conhecimento e a percepção dos alunos e professores sobre estatística e ciência de dados;
  • Aulas práticas e lúdicas: com atividades dinâmicas que demonstram aplicações reais da estatística, tornando o aprendizado mais acessível e interessante;
  • Cursos presenciais: focados no uso de ferramentas como R e Python, voltados para análise de dados;
  • Metodologia participativa: os conteúdos dos cursos são adaptados com base no perfil dos alunos, utilizando, por exemplo, construção de linhas do tempo para entender suas experiências.

Para concluir a metodologia do projeto, as avaliações são feitas de forma contínua, realizada por meio de questionários de satisfação e feedback ao final de cada atividade. 

Mesmo em andamento, a iniciativa já aponta resultados promissores. Entre os impactos esperados, e já observados em experiências semelhantes, estão o aumento do interesse dos alunos por áreas tecnológicas e científicas, a redução da resistência à estatística, o desenvolvimento do pensamento crítico e uma maior capacidade de interpretação de dados.

A abordagem prática também contribui para um maior engajamento em sala de aula, além de estimular o contato inicial com ferramentas amplamente utilizadas no mercado. 

E os planos não param por aí. O projeto já tem próximos passos definidos. Segundo o coordenador, os principais próximos pontos a serem aprofundados, estão: 

  • Consolidação das atividades previstas;  
  • Aperfeiçoamento dos cursos e materiais didáticos com base nos feedbacks;  
  • Produção de relatórios, resumos e apresentações em eventos científicos;  
  • Fortalecimento da parceria com escolas e professores locais.

Há, ainda, a intenção de expansão. Concebido com potencial de replicação, o projeto pode alcançar novas escolas no próprio município, se estender a cidades vizinhas e até inspirar a criação de novos núcleos de extensão em outras instituições de ensino.  

Para isso, no entanto, o professor reiterou o pedido de fundamental ao ensino. "Essa expansão depende principalmente de recursos. Apoio institucional e formação de novas equipes capacitadas", finalizou.

Confira mais fotos das atividades do projeto: