
Pesquisa do PPG em Enfermagem proporciona o diagnóstico precoce de infecções sexualmente transmissíveis
A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, desenvolve atualmente uma pesquisa voltada ao rastreamento, prevenção e diagnóstico precoce das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A iniciativa é conduzida por um grupo de estudo formado por cerca de 15 integrantes, entre estudantes e pesquisadores, e está com recrutamento ativo de participantes.

Na foto, parte da equipe do Grupo de Estudos Sobre Doenças Infecciosas e outros agravos (GEDI)
Criado em 2015, o Grupo de Estudos Sobre Doenças Infecciosas e outros agravos (GEDI), atua com pesquisas sobre HIV, sífilis e hepatite B, integrando alunos da iniciação científica à pós-graduação. A Líder do grupo, professora Rosilane de Lima Magalhães destaca o impacto direto das pesquisas na saúde pública.

Líder do GEDI, professora Rosilane Magalhães
“A nossa proposta é rastrear casos de HIV e sífilis em populações-chave e contribuir para o diagnóstico precoce. Quando identificamos mais cedo, ampliamos as chances de tratamento e melhoramos a qualidade de vida dessas pessoas, além de contribuir com metas da Organização Mundial da Saúde para ampliar esse rastreamento até 2030”, afirmou.

Mestranda Luiza Carolina de Sousa
Para a mestranda Luiza Carolina de Sousa, o trabalho também é fundamental para compreender a dimensão do problema. “As ISTs são um sério problema de saúde pública. A sífilis, por exemplo, é considerada uma epidemia, o que mostra a importância de pesquisas que fortaleçam políticas públicas e melhorem a assistência, especialmente no pré-natal”, explicou.
Atualmente, o público-alvo das pesquisas são Homens que fazem Sexo com Homens (HSH), maiores de 18 anos. A participação ocorre por meio de uma metodologia em rede, que amplia o alcance do estudo.
“Trabalhamos com o método Respondent-Driven Sampling. Iniciamos com participantes chamados de ‘sementes’, que recebem três cupons e convidam outras pessoas da sua rede. Cada novo participante também recebe mais três cupons, formando uma cadeia que nos permite alcançar esse público de forma mais eficaz”, detalhou a coordenadora.
Além de contribuir com a produção científica, o grupo também oferece testagens gratuitas para HIV e sífilis, com foco no diagnóstico precoce e no encaminhamento para tratamento.

Mestrando Breno Dias
O mestrando Breno Dias, integrante do grupo, reforça que a pesquisa também ajuda a direcionar estratégias de cuidado. “Quando investigamos os fatores associados às infecções, conseguimos orientar melhor as ações de prevenção e qualificar o atendimento, contribuindo para reduzir os casos e melhorar a resposta dos serviços de saúde”, destacou.
A pesquisa é aberta ao público externo, desde que o participante receba um cupom válido, seguindo a metodologia adotada. Todo o processo é realizado com segurança e sigilo.
“A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e garante total anonimato. O participante não é identificado pelo nome, apenas por um código, o que assegura privacidade e acolhimento, especialmente diante dos tabus que ainda existem sobre as ISTs”, reforçou a professora.
Com pesquisas em andamento e foco em populações estratégicas, o grupo destaca a importância da participação da comunidade. “Diagnosticar de forma precoce é fundamental para ampliar a adesão ao tratamento e melhorar a qualidade de vida das pessoas, além de contribuir para o controle dessas infecções na sociedade”, concluiu a mestranda Luísa Carolina de Sousa.
Os interessados podem realizar a testagem no prédio da Pós-Graduação em Enfermagem da UFPI. O atendimento pode ser agendado previamente pelo Instagram @somosgedi, o que facilita a organização e o acolhimento. Também há atendimento por demanda espontânea, conforme disponibilidade. As coletas ocorrem no período de 22 de abril a 30 de junho, pela manhã, de segunda a quinta-feira, das 8h às 11h, e no turno da tarde, às terças e quintas-feiras, das 14h às 16h.