
Foto: COREN-PI
A professora aposentada do curso de Enfermagem do Campus Ministro Petrônio Portella da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Lucimar Ramos Ribeiro Gonçalves, lança o livro “A arte de partejar e a sua interface com a Abenfo-PI”, obra que resgata a trajetória da Enfermagem Obstétrica no estado e evidencia o papel da formação acadêmica e do movimento associativo na consolidação de práticas humanizadas de cuidado.
Segundo a autora, a motivação para escrever o livro amadureceu ao longo de anos. “A proposta da obra ganhou força após a apresentação da live ‘A arte de partejar: experiências exitosas na formação, atuação e desafios da Enfermagem Obstétrica no Piauí’, realizada em setembro de 2024, durante o XI Enonepi. Mas esse desejo já existia desde 2016, quando começamos a esboçar o projeto. Ao retornar à docência, senti que precisava transformar esse sonho em legado”, afirma. Para ela, o livro preserva memórias fundamentais da formação e da atuação profissional no estado. “É um presente para estudantes da graduação e, sobretudo, para os pós-graduandos, que precisam conhecer a história que pavimentou os caminhos atuais.”
A obra também aborda os desafios enfrentados para afirmar o protagonismo da enfermeira obstetra. Lucimar relembra que, no início dos anos 2000, o modelo biomédico predominante limitava a atuação desses profissionais. “A ideia de que o parto era exclusivamente um ato médico dificultava a implementação de boas práticas. Diante disso, a ABENFO-PI firmou convênio com o Hospital Sofia Feldman, referência nacional em humanização do parto. Essa experiência foi decisiva para formar profissionais que se tornaram multiplicadores dessas práticas no Piauí”, destaca.
As vivências profissionais da autora, tanto no Brasil quanto no exterior, também influenciaram sua visão sobre o cuidado. “Experiências no Hospital Sofia Feldman, na Casa de Parto David Capistrano Filho e em maternidades no Japão me ensinaram que o parto deve ser conduzido com respeito, acolhimento e base científica. Isso me tornou uma profissional mais segura e um ser humano melhor”, relata.
Um dos diferenciais da obra é a integração entre trajetória profissional e vivências pessoais. “Minha história com a humanização do parto também passa pela minha experiência como mãe e avó. Em 2003, acompanhei um nascimento marcado por intervenções e me senti impotente. Já em 2015, vivi um parto humanizado com minha neta, em um centro de parto normal. Foi um marco. Não havia como separar essas dimensões no livro”, explica.
Outro ponto destacado é a importância de eventos e instituições para o fortalecimento da área. A realização do VI Congresso Brasileiro de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras (COBEON), sediado no estado, é apontada como um divisor de águas. “O evento deu visibilidade nacional e internacional à Enfermagem Obstétrica do Piauí e impulsionou a criação de novas especializações, ampliando o alcance da profissão”, afirma.
Nesse processo, a Maternidade Dona Evangelina Rosa teve papel estratégico. “A maternidade foi fundamental na implantação de políticas públicas e na formação de profissionais, com iniciativas como o Acolhimento com Classificação de Risco, a adesão à Rede Cegonha e a Residência em Enfermagem Obstétrica. Tornou-se protagonista na mudança do modelo assistencial”, ressalta.
Ao final, Lucimar deixa uma mensagem às novas gerações: “Peço que lutem pela Reforma Obstétrica no nosso país. Os avanços conquistados são fruto de ação coletiva e da coragem de mulheres que acreditaram na humanização. Sigam firmes em suas batalhas, mas sem perder de vista o projeto coletivo de proteção à mulher e ao recém-nascido.”
A autora também destaca o papel das entidades de classe na regulamentação e fortalecimento da profissão. “A atuação do Conselho Federal de Enfermagem e do Conselho Regional de Enfermagem do Piauí foi decisiva para avanços técnicos, políticos e sociais da Enfermagem Obstétrica. Além das normativas, houve apoio em mobilizações importantes, como as marchas pela humanização do parto”, conclui.
*Com informações do COREN-PI