Buriti BioEspuma avança no Lab Procel II e garante investimento superior a R$ 2 milhões para tecnologia sustentável

Startup Buriti BioEspuma durante participação em evento

A Buriti BioEspuma, startup integrante da incubadora de empresas do agronegócio da Universidade Federal do Piauí (INEAGRO/UFPI), alcançou um marco relevante no cenário nacional de inovação ao avançar para a segunda fase do Lab Procel II, um dos principais programas do país voltados ao desenvolvimento de soluções em eficiência energética. A empresa está entre apenas quatro selecionadas em todo o Brasil, consolidando-se como destaque no setor de tecnologia sustentável aplicada à construção civil.

Criado em 2020, o Lab Procel é uma iniciativa da ENBPar, em parceria com o SENAI, a FIRJAN, o Instituto SENAI de Inovação de Santa Catarina e o Procel. O programa tem como foco a aceleração de startups e pequenas empresas com soluções inovadoras voltadas à eficiência energética, promovendo a conexão entre desafios reais do setor produtivo e a expertise técnica e científica da rede de institutos. Como resultado da seleção, a Buriti BioEspuma receberá um investimento superior a R$ 2 milhões para o desenvolvimento de sua tecnologia baseada em biomaterial vegetal.

A startup atua na produção de isolantes térmicos e absorventes acústicos a partir da bioespuma do buriti (Mauritia flexuosa), palmeira abundante nos biomas Cerrado e Amazônia. A matéria-prima é obtida por meio de extrativismo sustentável, sem supressão de vegetação nativa, alinhando-se a práticas de bioeconomia, economia circular e princípios ESG. A tecnologia foi desenvolvida a partir de pesquisas acadêmicas conduzidas na UFPI ao longo de mais de uma década, nas áreas de Arquitetura, Engenharia e Ciência e Engenharia de Materiais, sendo posteriormente estruturada como uma deep tech voltada ao uso de biomateriais no ambiente construído.

O projeto aprovado no Lab Procel tem como foco o avanço tecnológico dos isolantes térmicos da linha THERMAA, com o objetivo de consolidar sua aplicação em sistemas construtivos voltados à eficiência energética das edificações. Entre as atividades previstas estão o aprimoramento das propriedades do material, validações técnicas por meio de ensaios laboratoriais acreditados, obtenção de certificações de desempenho, segurança e sustentabilidade, além da estruturação de processos produtivos e da aplicação da tecnologia em ambientes reais.

Os recursos também serão destinados à aquisição de equipamentos estratégicos para produção piloto, realização de ensaios e implementação de projetos demonstrativos em edificações. O projeto contempla ainda a mensuração do impacto energético e ambiental da tecnologia, incluindo análise de ciclo de vida, quantificação de energia incorporada e avaliação do potencial de redução de emissões de carbono.

Para o cofundador da startup, Felippe Fabricio, a proposta da empresa se diferencia por atuar de forma integrada em diferentes dimensões da eficiência energética. “A proposta da Buriti BioEspuma se destaca por integrar diferentes dimensões da eficiência energética. Além de contribuir para a redução da carga térmica das edificações e da demanda por climatização artificial, o material apresenta baixa energia incorporada, em função de sua origem vegetal e do processo produtivo de baixa intensidade energética. Adicionalmente, a tecnologia incorpora carbono biogênico e contribui para a substituição de materiais convencionais de maior impacto ambiental”, afirma.

Ainda segundo o cofundador, o projeto também possui impacto social relevante. “Outro aspecto importante é o impacto socioambiental do projeto, que envolve a estruturação de cadeias produtivas baseadas no extrativismo sustentável do buriti, promovendo geração de renda e valorização de comunidades locais no Piauí e em outros estados da região”, completa.

A BuritiEspuma é composta por cinco sócios: Prof. Dr. Felippe Fabrício, arquiteto e engenheiro; Prof. Dr. Renato Cosse, engenheiro mecânico; Prof. Dr. Lívio César, farmacêutico; Taynan Rachid, arquiteto e designer; e Leonardo Modesto, administrador.