
Na foto, Maria Mayara ao lado orientadora, Juliana do Nascimento Bendini, e de sua coorientadora, Maria Carolina de Abreu
“Desde pequena, eu via meu pai cuidar das abelhas e, quando chegava o tempo da colheita do mel, ajudava nessa etapa. Foi assim que me apaixonei pelo mundo das abelhas e, ao ingressar no curso de Biologia da Universidade Federal do Piauí, tive a oportunidade de conhecer uma das principais pesquisadoras em apicultura no estado, a professora Juliana Bendini”, relata a bióloga Maria Mayara Vieira.

Maria Mayara
Ao unir essa paixão de infância à formação acadêmica, Maria Mayara ingressou no Grupo de Estudos sobre Abelhas do Semiárido Piauiense (GEASPI), coordenado pela professora Juliana Bendini. Durante a graduação, passou a investigar estratégias para a manutenção de abelhas no período de estiagem no semiárido, tema que orientou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
A pesquisa teve continuidade no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí (PRODEMA/UFPI), resultando na dissertação intitulada “A conservação de espécies arbóreas como estratégia para a mitigação dos efeitos climáticos do semiárido na apicultura de Vera Mendes, Piauí, Brasil”. A pesquisa também contou com coorientação da professora Maria Carolina de Abreu, do curso de Ciências Biológicas (CCN/UFPI). O estudo partiu de uma questão levantada ainda na pesquisa de TCC: quais espécies vegetais fornecem pólen para as abelhas durante o período seco no semiárido piauiense?
Segundo a pesquisadora, a dúvida inicial direcionou o foco para as espécies arbóreas. “A partir dessa pergunta, surgiu a ideia de investigar especialmente as árvores, já que muitas espécies florescem ou iniciam a floração no período mais quente do semiárido, podendo ser fundamentais para a manutenção das colônias”, explica.
O estudo foi desenvolvido ao longo de um ano na comunidade rural Jiboia, no município de Vera Mendes (PI), onde já existe um apiário experimental do GEASPI. A pesquisa foi estruturada em três etapas: levantamento florístico no entorno do apiário; identificação dos tipos polínicos presentes nas cargas de pólen coletadas pelas abelhas; e análise da percepção dos apicultores sobre a importância das árvores para a sobrevivência das colônias durante a estiagem.

Professora Juliana Bendini
Para a professora Juliana Bendini, orientadora do trabalho, a dissertação consolida uma linha de investigação construída ao longo dos anos pelo grupo. “A partir de estudos anteriores, estruturamos pesquisas voltadas ao desenvolvimento de estratégias que contribuam para a manutenção das colônias de abelhas africanizadas durante a estiagem”, afirma.
De acordo com a docente, os resultados têm impacto direto para apicultores do semiárido, especialmente em Vera Mendes, onde há parceria com a cooperativa local. “Mantemos um diálogo constante com os apicultores, promovendo atividades tanto no município quanto na universidade, sempre buscando compartilhar os resultados de forma acessível”, destaca.
A pesquisa evidencia a importância das árvores não apenas como fonte de alimento, devido ao florescimento em períodos de escassez, mas também como conforto térmico ao oferecer sombra e reduzir os efeitos da alta radiação solar sobre as colônias.
O estudo também aponta que as mudanças climáticas intensificam os desafios enfrentados pelas abelhas, sobretudo durante a estiagem, quando as altas temperaturas comprometem a manutenção das colônias e a produtividade da apicultura.
Maria Mayara ressalta ainda a contribuição do PRODEMA para a realização da pesquisa. “O programa possibilitou uma abordagem integrada ao articular aspectos sociais, econômicos e ambientais nas pesquisas que são desenvolvidas. Foi fundamental para compreender tanto a comportamento das abelhas como a visão de quem cuida delas, os apicultores e apicultoras”, afirma.
Por fim, a professora Juliana Bendini reforça o papel da universidade no desenvolvimento científico. “O ambiente acadêmico é essencial para a formação crítica e para o acesso à infraestrutura necessária, como laboratórios e insumos. Sem esse suporte institucional, pesquisas como esta não seriam viáveis”, conclui.