Pesquisa da UFPI analisa conhecimento e vacinação contra hepatite B entre estudantes de Enfermagem

Professora Rosilane Magalhães e sua orientanda Danielle Rodrigues na defesa da dissertação do mestrado

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Piauí (PPGENF/UFPI) avaliou o conhecimento sobre hepatite B e a completude vacinal entre estudantes do curso de Enfermagem nos três campi da Instituição. O estudo investigou a situação vacinal e nível de informação dos graduandos, considerando o risco de contaminação presente na prática ocupacional durante a formação. O trabalho foi defendido no âmbito do mestrado na segunda-feira, 9 de março.

A hepatite B é uma infecção viral que pode ser prevenida por meio da vacinação, mas ainda representa um importante problema de saúde pública. Estudantes da área da saúde, especialmente da Enfermagem, estão mais expostos a situações de risco durante atividades acadêmicas e práticas, o que reforça a necessidade de imunização adequada e de conhecimento sobre formas de transmissão, prevenção e diagnóstico.

A dissertação, com o título “Avaliação do conhecimento sobre hepatite B e da completude vacinal contra hepatite B entre graduandos em Enfermagem”, foi desenvolvida pela enfermeira e mestre em Enfermagem Danielle Nedson Rodrigues de Macêdo. Segundo a pesquisadora, o interesse pelo tema surgiu ainda durante a sua trajetória acadêmica. “A motivação para esse tema vem desde a minha trajetória na iniciação científica, quando eu estudei a hepatite B e posteriormente no meu trabalho de conclusão de curso eu continuei investigando a doença. Nós percebemos a necessidade de aprofundar essa investigação no conhecimento dos graduandos e também sobre a completude vacinal dos estudantes de enfermagem " explicou a mestre.

Danielle Nedson Rodrigues de Macêdo

A pesquisadora destaca que os estudantes participam de atividades em unidades de saúde no início do curso de Enfermagem e isso aumenta a importância da vacinação. “Esses graduandos estão desde o início do curso expostos a atividades práticas na área da saúde, em que têm contato com secreções e materiais contaminados. Por isso, é importante verificar se estão completamente imunizados e como está a formação em enfermagem para contribuir nessa área”, afirmou. 

A pesquisa foi realizada por meio de um estudo transversal, um método de pesquisa observacional que analisa dados de uma população em um único ponto no tempo, no qual a exposição e os resultados são verificados simultaneamente, com estudantes de enfermagem dos três campi da UFPI que oferecem o curso: Teresina, Picos e Floriano.

Durante a coleta de dados, os participantes responderam formulários sobre características acadêmicas e conhecimento sobre Hepatite B, além de apresentarem o cartão de vacinação para a confirmação da situação vacinal.

De acordo com a professora Rosilane de Lima Brito Magalhães, orientadora da dissertação, o estudo faz parte das atividades de um grupo de pesquisa voltado para doenças infecciosas. “O nosso grupo de pesquisa sobre doenças infecciosas e outros agravos já desenvolve estudos relacionados à hepatite B em diferentes populações. Diante de resultados anteriores, sentimos a necessidade de investigar também profissionais de saúde e graduandos da área da saúde”, destacou.

Rosilane de Lima Brito Magalhães

Os resultados da pesquisa mostraram que a maioria dos estudantes apresentava esquema vacinal completo contra a hepatite B, porém ainda existe um percentual significativo de graduandos sem a imunização completa. “Nós verificamos que a maioria apresentava completude vacinal, porém ainda com um percentual importante de alunos que não tinham as três doses da vacina. Cerca de 27,5% não apresentavam a completude vacinal”, explicou a pesquisadora.

A pesquisadora ressalta que esse dado é relevante porque muitos estudantes participam de atividades práticas em ambientes hospitalares. “Esse dado é importante quando esses alunos estão em campos de prática e participam de atividades hospitalares sem apresentar ainda a completude vacinal”, acrescentou.

Em relação ao conhecimento sobre a doença, a maioria dos estudantes apresentou nível considerado satisfatório. No entanto, o estudo identificou lacunas em conteúdos mais específicos relacionados à infecção. “Nós percebemos que a maioria teve um conhecimento considerado bom, mas ainda com um percentual relevante de erros em questões mais específicas e técnicas sobre a infecção”, afirmou.

A pesquisa também identificou que fatores acadêmicos influenciam diretamente o conhecimento e a vacinação dos estudantes. Segundo os resultados, alunos que participaram de disciplinas, cursos e seminários relacionados ao tema apresentaram melhor nível de conhecimento. “Percebemos que o conhecimento sobre a hepatite B é adquirido conforme a universidade oferece estratégias de orientação, como disciplinas, seminários e cursos”, explicou a professora Rosilane.

Outro ponto observado foi a influência de fatores socioeconômicos na situação vacinal dos estudantes.“Quanto maior a renda familiar, maior a chance de o estudante ter completude vacinal, o que mostra que algumas informações e serviços de saúde podem não chegar a todas as pessoas da mesma forma”, destaca.

Entre as principais recomendações da pesquisa está a adoção de estratégias institucionais para acompanhamento da situação vacinal dos estudantes logo após o ingresso na Universidade. “Nós entendemos que pode ser solicitado o cartão de vacina no ato da matrícula e oferecer a vacina para aqueles ingressantes que ainda não tenham completado o esquema vacinal”, afirmou Rosilane.

Segundo a professora, essa estratégia poderia contribuir para garantir que os estudantes iniciem suas atividades acadêmicas já protegidos contra a doença.

Para as pesquisadoras, o estudo contribui para ampliar a discussão sobre prevenção da hepatite B e fortalecer estratégias de promoção da saúde no ambiente universitário.“A vacinação é um dos principais pilares da saúde pública para a prevenção de diversas doenças, inclusive a hepatite B. A pesquisa contribui para fortalecer a formação dos futuros profissionais de saúde e ampliar o conhecimento sobre a importância da imunização”, destacou Danielle.

Além disso, o grupo de pesquisa pretende ampliar as ações de conscientização sobre o tema na Universidade, com a realização do 3º Seminário sobre Hepatite B, previsto para ocorrer na UFPI nos dias 13 e 14 de abril.

A iniciativa busca ampliar o acesso à informação sobre a doença e incentivar práticas de prevenção entre estudantes universitários.