Planta carnívora rara é registrada pela primeira vez no Nordeste em pesquisa liderada pela UFPI

Foto: LEITE SOUSA.F.E

A espécie rara de planta carnívora aquática Utricularia warmingii foi registrada pela primeira vez no Nordeste, em uma área alagada de Campo Maior (PI). O achado foi liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e foi publicado na revista Kew Bulletin. A pesquisas teve apoio de estudiosos do Instituto Nacional da Mata Atlântica, da Universidade Estadual do Piauí, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Universidade Federal do Maranhão.

Sem registros em algumas regiões há mais de 80 anos, a planta carnívora, que pertence à família Lentibulariaceae apareceu durante um inventário de plantas aquáticas realizado em 2023. A planta vive submersa em águas rasas, tem até 6 centímetros de altura e captura pequenos organismos aquáticos por meio de estruturas microscópicas semelhantes a armadilhas, chamadas utrículos, típicas das plantas carnívoras do gênero Utricularia. As flores brancas, tingidas de amarelo e vermelho, surgem em uma haste inflada cheia de ar, que ajuda a planta a flutuar na superfície.

O líder da pesquisa e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UFPI), Ernandes Leite, destacou a importância da pesquisa em demonstrar a diversidade de espécies ainda desconhecidas no Piauí. "Estudos como este revelam o grande potencial das plantas aquáticas no estado, especialmente nesta região de transição entre Caatinga e Cerrado, conhecida como Complexo Vegetacional de Campo Maior", ressaltou.

Ernandes foi o responsável também pela pesquisa de campo, sendo ele quem fez a coleta da planta. Os demais pesquisadores auxiliaram na identificação da espécie e no levantamento de informações, reunindo um grupo de taxonomistas, biólogos especializados em identificar, descrever, nomear e classificar os seres vivos.

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Apesar de ocorrer em alguns países da América do Sul, como Bolívia, Colômbia e Venezuela, os registros da espécie são raros e bastante espaçados. No Brasil, ela já havia sido registrada no Pantanal e em áreas do Sudeste, mas algumas dessas populações podem ter desaparecido ao longo do tempo. Em São Paulo, por exemplo, não há registros desde 1939, o que sugere possível extinção local. "Lembrando que o Pantanal passa por secas recorrentes e corre o risco dessa planta também desaparecer na região. Não há mais registro de aparecimento dessa espécie em São Paulo ou em qualquer outra região fora do Mato Grosso e do Piauí", acrescentou Ernandes.

No Brasil, os registros confirmados indicam que as populações da espécie estão separadas por grandes distâncias e ocorrem em poucos locais isolados. A área real ocupada pela espécie no Brasil é extremamente pequena, em torno de 36 km². "As informações sobre essa espécie eram dados como insuficientes, pois até hoje se sabe muito pouco sobre a reprodução e a polinização dessa espécie. O Utricularia Warmingii é uma espécie muito rara", finalizou Ernandes.

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