Estudante indígena da UFPI acompanha em Brasília votação da criação da Universidade Federal Indígena

Na foto, Seribi Tukano, ao lado das professoras Daniela Kaigang, Rose Sateré e Rita Potiguara, além da deputada Célia Xakriabá e dos professores Gersen Baniwa e Luiz Antônio

O estudante de graduação do curso de Medicina da Universidade Federal do Piauí e diretor nacional da União Plurinacional dos Estudantes Indígenas (UPEI), Anderson Arantes, conhecido como Seribi Tukano, esteve presente na sessão plenária que aprovou a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), na terça-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília. O Projeto de Lei  6.132/2025, do Poder Executivo, que cria a Unind teve a relatoria da Deputada Célia Xakriabá. 

Com a aprovação na Câmara, o texto segue para análise do Senado Federal para continuidade da tramitação legislativa. Segundo o Ministério da Educação, a iniciativa é fruto de articulação de longa data, construída em diálogo com lideranças, educadores e organizações indígenas, e contou com a realização de seminários de consulta em diferentes regiões do país em 2024. A construção conjunta, envolvendo o governo federal, o Ministério da Educação, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, responde a uma demanda histórica dos povos originários por uma instituição de ensino superior que valorize e integre seus saberes, línguas e tradições a partir de uma perspectiva intercultural e autônoma.

Segundo Seribi Tukano, a construção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas deve partir do respeito aos marcos regulatórios e, sobretudo, da escuta qualificada das vozes indígenas em todos os espaços de decisão. Para ele, é fundamental compreender que a efetivação dessas políticas só se concretiza quando são elaboradas com os povos indígenas, e não apenas para eles. “O que precisamos é romper com a lógica tutelar que, historicamente, tenta controlar nossos sonhos, nossas falas, nosso modo de pensar e de existir. As pessoas brancas que ocupam posições de poder precisam reconhecer essa estrutura e superá-la. É necessário romper com essa mentalidade ainda presente em algumas instituições”, afirma.

O estudante ressalta que as demandas dos povos indígenas devem ser consideradas de forma central, especialmente na formulação e implementação de políticas relacionadas à educação escolar indígena e à ampliação da presença indígena nas universidades federais. “Sem a participação efetiva dos próprios povos indígenas, não há política pública justa, democrática e verdadeiramente transformadora”, acrescenta.

A mobilização no Congresso Nacional contou com a presença de lideranças e intelectuais como as professoras Daniela Kaigang, Rose Sateré e Rita Potiguara, além da deputada Célia Xakriabá e dos professores Gersen Baniwa e Luiz Antônio. “Os próprios indígenas figuram como os agentes construtores dessa vitória, ocupando tribunas e gabinetes para fundamentar a viabilidade da universidade plurinacional. Esse coletivo atua na formulação de propostas que visam o reconhecimento dos saberes ancestrais dentro da estrutura estatal e do ensino superior”, destacou  Seribi Tukano.

Política de Inclusão na UFPI

Na UFPI, o Conselho Universitário aprovou a Política de Inclusão voltada a indígenas, quilombolas e quebradeiras de coco babaçu, consolidando um marco institucional no fortalecimento do acesso e da permanência de povos e comunidades tradicionais na graduação. A medida estabelece diretrizes para oferta de vagas específicas, critérios próprios de seleção e mecanismos de acompanhamento acadêmico, além de prever ações de assistência estudantil e apoio pedagógico. 

A construção da Política ocorreu a partir de diálogo com as comunidades envolvidas e com diferentes setores da Universidade. “Essa medida reafirma o papel dos estudantes como sujeitos ativos na transformação das instituições públicas e na garantia de direitos. A aprovação deste vestibular, somada ao avanço da pauta no Congresso Nacional, demonstra uma convergência de esforços para o reconhecimento definitivo da diversidade étnica no sistema educacional do país”, finaliza Seribi Tukano.