Projeto de extensão fortalece a Educação do Campo ao formar guardiões mirins da agrobiodiversidade

Projeto de extensão promove a troca de conhecimento entre universidade e comunidade

O projeto de extensão “Guardiões Mirins das Sementes Crioulas”, da Universidade Federal do Piauí, fortalece a integração entre universidade e comunidades rurais ao promover a formação de crianças como guardiãs da agrobiodiversidade. Desenvolvida pelo curso de Licenciatura em Educação do Campo do Campus Ministro Petrônio Portella (Ledoc/CCE), a iniciativa realiza oficinas pedagógicas, feiras de troca de sementes e ações educativas em escolas do campo no Estado do Piauí. O projeto também conquistou o 1º lugar na XII Mostra das Comunidades dos Seminários Integrados (SIUFPI 2025).

Professora Michelli Ferreira               

Coordenado pela professora Michelli Ferreira, o projeto surgiu a partir de experiências extensionistas e de pesquisa desenvolvidas na UFPI, inicialmente no Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, em Picos. Desde a sua idealização, a proposta busca articular educação, cultura camponesa e soberania alimentar, reconhecendo as sementes crioulas como patrimônio biológico e cultural das comunidades rurais. “A iniciativa dialoga diretamente com as demandas das escolas do campo e com os saberes tradicionais das famílias agricultoras, envolvendo as crianças como sujeitos ativos na preservação da biodiversidade agrícola”, destaca a professora.

As sementes crioulas são variedades desenvolvidas e preservadas por agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e povos indígenas. Possuem características próprias, reconhecidas pelas comunidades, e derivam de cultivos tradicionais das espécies vegetais. Nesse contexto, o projeto contribui para a valorização da agricultura familiar ao formar “guardiões mirins” nas escolas do campo de diferentes municípios piauienses.

As atividades incluem minicursos, oficinas práticas, construção de mini-bancos de sementes e feiras de troca entre estudantes e comunidades. “As ações são desenvolvidas a partir de uma abordagem pedagógica crítica, participativa e interdisciplinar, inspirada nos princípios da Educação do Campo e da pedagogia da alternância”, explica a coordenadora.

Integração entre Universidade e comunidade

Um dos momentos centrais da iniciativa é a feira de troca de sementes, realizada no município de Piripiri (PI). O evento se configura como espaço de encontro, diálogo e valorização dos saberes das comunidades rurais, fortalecendo a integração entre escola, universidade e território. A ação promove a troca de experiências, histórias e conhecimentos sobre o cultivo, o armazenamento e o uso das sementes crioulas.

“A feira amplia a participação social, aproxima a UFPI das realidades locais e reafirma o papel da escola do campo como espaço de produção e socialização de saberes, contribuindo para a construção de redes comunitárias de preservação da agrobiodiversidade”, afirma a docente.

A estudante Rosângela de Oliveira Araújo, do curso de Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc/CCE) e participante do projeto, relata que iniciou sua atuação em março de 2025. Ao longo de dez meses, foram realizadas dez oficinas com uma turma do sexto ano em uma comunidade campesina no município de Pedro II, todas vinculadas às ações do projeto.

Segundo a discente, a experiência teve impactos significativos em sua formação acadêmica e profissional. “O projeto me proporcionou contato direto com a sala de aula. Mesmo com a experiência dos estágios, as oficinas nos trouxeram mais segurança, especialmente para lidar com crianças que, apesar de estarem no início da vida escolar, se mostraram muito habilidosas e curiosas para aprender”, relata.

Crianças aprendem e se divertem em projeto de extensão da UFPI

Rosângela também destaca a relevância da iniciativa para a valorização da cultura camponesa. “O projeto foi de suma importância, pois nos ofereceu formação técnica e prática, ensinando o valor das sementes crioulas, a importância da preservação da agrobiodiversidade e da cultura camponesa. Esses aprendizados não apenas eu, como bolsista, levarei para minha vida acadêmica e profissional, mas também todos os educandos que participaram dessa experiência”, conclui.

Reconhecimento institucional

Em ocasião do SiUFPI 2025

A relevância da iniciativa foi reconhecida com a conquista do primeiro lugar na Mostra das Comunidades do SIUFPI 2025, que destacou projetos com impacto social e forte articulação entre universidade e comunidade. Ao formar guardiões mirins, a ação contribui para a preservação do patrimônio genético das sementes crioulas, fortalece a identidade camponesa e incentiva práticas sustentáveis nas comunidades rurais.

Por fim, a professora Michelli Ferreira ressalta que a iniciativa reafirma o compromisso da Universidade Federal do Piauí com a Educação do Campo e com o desenvolvimento de ações extensionistas alinhadas às demandas sociais do Estado. Atualmente, o projeto também desenvolve atividades em Teresina, com a participação de bolsistas e voluntários do curso de Educação do Campo (Ledoc/CCE).

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