
Encontro ocorreu no Gabinete da Reitoria
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) sediou na sexta-feira, dia 30 de janeiro, uma reunião com representantes da Rede Nordeste de Saúde da Família (RENASF), da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para discutir estratégias de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, com foco no enfrentamento da violência que atinge agentes comunitários de saúde (ACS) no exercício de suas funções.
O encontro teve como objetivo integrar esforços entre universidade, gestão pública e instituições de pesquisa a partir de dados e diagnósticos que apontam o aumento de situações de violência física e simbólica enfrentadas por esses profissionais, especialmente após a pandemia da Covid-19. A proposta é transformar o conhecimento acadêmico em ações concretas, políticas públicas e estratégias de cuidado voltadas tanto à proteção física quanto à saúde mental dos trabalhadores da atenção básica.
Durante a reunião, a reitora da UFPI, Nadir Nogueira, destacou o papel da universidade como integrante da RENASF e como articuladora de iniciativas interinstitucionais voltadas à melhoria das condições de trabalho dos agentes comunitários de saúde. “A partir dos dados apresentados, especialmente sobre a violência física enfrentada pelos agentes comunitários de saúde, percebemos a necessidade de pensar ações e políticas públicas. A academia tem um papel extremamente importante para mitigar esses impactos, melhorar as condições de proteção física e também a saúde mental desses profissionais, que atuam em territórios muitas vezes marcados por diferentes formas de violência”, afirmou.
A presidente da Fundação Municipal de Saúde de Teresina, Leopoldina Cipriano, destacou o caráter intersetorial da discussão e a importância da articulação com instituições de ensino e pesquisa para o enfrentamento da violência nos territórios. Segundo ela, a parceria fortalece a construção de um plano de trabalho voltado à orientação e proteção dos profissionais que atuam diretamente nas comunidades. “A Universidade Federal do Piauí, a Fiocruz e a Fundação Municipal de Saúde se unindo para, a partir do levantamento das áreas de vulnerabilidade e violência de Teresina, elaborar um plano de trabalho que possa orientar os profissionais que estão na ponta, lidando diariamente com essa realidade”, pontuou.
Para a coordenadora nacional da RENASF, Anya Pimentel, o encontro reforça a importância de aproximar a produção acadêmica da execução das políticas públicas. “Essa reunião é extremamente importante porque junta a academia, a pesquisa e os resultados produzidos com a Fundação Municipal de Saúde, que está na ponta executando as ações. A ideia é transformar o conhecimento gerado em práticas que realmente mudem a realidade do trabalho e do cuidado à população, cuidando também de quem cuida”, ressaltou.
O coordenador do programa pela UFPI, professor Fernando Guedes, enfatizou o protagonismo da Universidade na condução de estudos sobre violência e saúde no município de Teresina. “A universidade tem liderado um estudo voltado à análise da violência e de seu enfrentamento, avaliando diretamente o processo de trabalho dos agentes comunitários de saúde. Esse projeto envolve várias universidades e busca compreender como a violência tem impactado o cotidiano desses profissionais que atuam na base do sistema de saúde”, explicou.
