
Sabrina Venturine é aluna trans do curso de Jornalismo da UFPI
Em alusão ao Dia Nacional de Visibilidade Trans, celebrado nesta quinta-feira (29), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) promoveu a escuta de estudantes trans, destacando vivências acadêmicas e desafios enfrentados no ambiente universitário.

Estudante de Ciências Sociais, Celine Oliver Albuquerque
A estudante travesti do oitavo período de Ciências Sociais, Celine Oliver Albuquerque, ressaltou a experiência universitária como uma oportunidade de construir conhecimento e também para divulgar as suas vivências de uma forma científica, por meio da pesquisa.
“O espaço da Universidade apresenta uma oportunidade de conseguir me expressar, mais do que na escola, por exemplo. Por conseguir colocar meu nome social, me vestir da forma como queria e também conseguir construir o conhecimento da minha perspectiva como travesti. Acho muito interessante conseguir contribuir e engradencer, de fato, a academia com a minha perspectiva”, relatou.

Estudante de Jornalismo, Dominic Ferreira
Dominic Ferreira, estudante trans do curso de Jornalismo, destacou a troca de experiências e vivências que acontecem em todas as áreas de conhecimento.
“Eu acho que vale muito a tentativa [de entrar na Universidade], até porque a experiência é muito enriquecedora. Em todas as áreas tem pessoas trans, então você vai ter mais liberdade para conversar sobre suas vivências, ter essa troca, vai fazer networking. A experiência da Universidade não é só acadêmica, mas uma experiência de vida ao todo”, comentou.
A discente trans do curso de Jornalismo, Sabrina Venturine, relatou sobre a sua história de vida na UFPI e seus desejos para uma comunidade mais igualitária na sociedade.
“Minha história na Universidade Federal do Piauí começou em 2019, quando ingressei para o curso de licenciatura em Ciências da Natureza, depois que aprofundei meu conhecimento nas ciências, escolhi expandir minha formação para o Jornalismo. Como mulher trans, eu reafirmo meu desejo por uma sociedade mais justa e igualitária a toda a comunidade trans”, ressaltou.
O coordenador de Inclusão, Diversidade, Equidade e Acessibilidade da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil e Comunitária, professor Fábio Passos, destacou que a UFPI vem realizando um trabalho tanto de prevenção, como de enfrentamento à violência contra minorias.
“Nós temos um comitê de enfrentamento às violências. Temos também um termo de cooperação técnica com a Secretaria de Segurança Pública, assinado pela reitora Nadir Nogueira e pelo secretário Chico Lucas, durante a inauguração da Sala Lilás Janaína Bezerra. Esse termo visa exatamente o combate ao racismo, LGBTfobia, capacitismo, gordofobia... Nós estamos realizando ações educativas para fazer com que essa cultura institucional de violência e discriminações sejam dirimidas”, concluiu Fábio.