
Solenidade de abertura do III Seminário Piauiense sobre Hanseníase
Ocorreu na manhã desta quarta-feira (21) o primeiro de dois dias de palestras do III Seminário Piauiense sobre Hanseníase, promovido pelo Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN) da Universidade Federal do Piauí e pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), no Cine Teatro. O evento promove a troca de experiências e conhecimentos entre profissionais de saúde de todo o estado, além de contribuir para a elaboração de estratégias de enfrentamento da doença no Piauí.

Professor Carlos Henrique Nery
O coordenador do CIATEN e professor da UFPI, Carlos Henrique Nery, destacou a importância da participação da Instituição na organização e no planejamento do seminário. “A nossa missão principal é coletar e sistematizar dados, especialmente conhecimento. Produzimos sínteses, mapas de vigilância e promovemos diálogos deliberativos com gestores, apresentando recomendações sobre os agravos e doenças. Trabalhamos, prioritariamente, com doenças negligenciadas de transmissão direta, como a hanseníase. Trata-se de uma doença ainda muito negligenciada. Muitas vezes, gestores evitam falar sobre o tema por receio de estigmatização, o que reforça o preconceito. Precisamos repensar a Atenção Primária à Saúde e destacar a importância da equipe de saúde como um todo. Hoje, a prevenção da hanseníase é cada vez mais simples. Participar de eventos educativos como este é fundamental para alcançarmos as metas de 2030 e avançarmos rumo à eliminação da doença no Brasil”, ressalta.

Professora Olívia Dias
A docente do curso de Enfermagem da UFPI, Olívia Dias, reforçou a relevância de eventos como o seminário para qualificar as ações de combate à hanseníase no Estado. “O Piauí oscila entre o terceiro e o quarto estado do Brasil em número de casos, e o Brasil ocupa a segunda posição mundial. Por isso, precisamos falar sobre hanseníase durante todo o ano, não apenas no Janeiro Roxo. Este seminário traz inovações, apresenta o cenário epidemiológico e avanços tecnológicos. Um exemplo é a Linha de Cuidado da Hanseníase, que organiza o acesso, o tratamento e a reabilitação no estado. Vamos discutir amplamente essa ferramenta, além de novidades sobre diagnóstico e manejo das reações, fortalecendo o cuidado na Atenção Primária à Saúde”, destaca.

Jurema Guerrieri Brandão
A coordenadora-geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação, Jurema Guerrieri Brandão, explicou que o seminário contribui para uma compreensão mais ampla da situação da doença no Piauí. “O evento oferece subsídios para que os profissionais de saúde compreendam a dimensão da hanseníase no contexto estadual, conheçam a rede de atendimento e as nuances necessárias para o enfrentamento da doença. Esses profissionais, que atuam diretamente nos territórios onde a população está, são ferramentas indispensáveis para a interrupção da transmissão e para a redução de casos com incapacidade, garantindo mais qualidade de vida aos usuários”, comenta.
A coordenadora também ressaltou o papel do seminário no combate ao preconceito e à invisibilidade que ainda cercam a hanseníase. “Além do público técnico, o evento transmite uma mensagem importante para os gestores, que têm papel fundamental na organização dos serviços e na priorização das ações. As doenças negligenciadas exigem um olhar diferenciado e ações baseadas na equidade. O seminário traz aspectos técnicos, epidemiológicos e uma visão de rede que o Estado do Piauí está construindo e formalizando, fortalecendo o enfrentamento da doença junto aos gestores e à comunidade”, finaliza.

Sheylla Millene
Presente no evento, a coordenadora regional de Saúde de Valença do Piauí, Sheylla Millene, destacou a importância do engajamento dos profissionais de saúde em espaços de formação continuada. “O Seminário Estadual de Hanseníase é extremamente importante por promover a educação permanente dos profissionais. Por se tratar de uma doença de relevância em saúde pública, esse conhecimento adquirido é levado para os municípios, contribuindo para a melhoria do atendimento e, consequentemente, para a qualidade da assistência prestada aos pacientes”, conclui.
O III Seminário Piauiense sobre Hanseníase integra a programação do Janeiro Roxo, mês dedicado à conscientização e ao combate à hanseníase. O evento também conta com a parceria da Fundação Municipal de Saúde (FMS), de movimentos sociais, entre outras instituições. A programação inclui mesas-redondas e palestras com o objetivo de ampliar o debate e fortalecer as ações de enfrentamento da doença.
Confira a programação do evento aqui.
