Pesquisa realizada pelo PPGGEO/UFPI desenvolve recursos de baixo custo para o ensino da Geografia na rede pública do Estado

Exemplo de recurso didático de baixo custo desenvolvido para uso em sala de aula

A pesquisa de mestrado realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGGEO) da Universidade Federal do Piauí (UFPI) facilita o ensino da Geografia em escolas públicas da zona rural do Estado. A discente Francisca Eduarda Abreu Santos, sob a orientação da professora Joselia Saraiva e Silva, desenvolveu recursos didáticos de baixo custo que podem ser utilizados por professores da disciplina a fim de proporcionar um eficiente processo de ensino-aprendizagem aos estudantes.

Na foto, Francisca Eduarda Abreu Santos ao lado de sua orientadora Joselia Saraiva e Silva e demais membras avaliadoras de dissertação do PPGGEO/UFPI

Defendida em 31 de agosto de 2026 com o título: “Recurso didático de baixo custo para o desenvolvimento da aprendizagem significativa na geografia escolar: um estudo no município de União-PI”, a pesquisa analisou as técnicas de ensino da Geografia para alunos do 7º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública da zona rural de União (PI). Francisca Eduarda explica que a motivação para o estudo e desenvolvimento dos recursos didáticos surgiu da própria experiência enquanto estudante da rede pública.

“Quando estudante, eu tinha muita dificuldade em entender o assunto trabalhado, pois sempre se falava de outros locais como exemplo e eu não conseguia associar com a minha realidade. Minha proposta foi encontrar recursos do dia a dia e adaptá-los para tornar a aprendizagem mais significativa”, explica a discente.

Passo a passo da pesquisa

Para embasar a proposta, a pesquisadora recorreu à Teoria da Aprendizagem Significativa, formulada pelo psicólogo David Ausubel, que defende a ancoragem de novos conteúdos aos conhecimentos prévios que os estudantes já carregam. A pesquisa iniciou com uma visita à instituição para avaliar as condições estruturais, alinhar o planejamento com o professor responsável pelo ensino da Geografia e selecionar a turma participante, composta por alunos do 7º ano do Ensino Fundamental. Em seguida, foi realizada a análise do livro didático adotado pela escola, o Expedições Geográficas..

Antes de iniciar as intervenções, a pesquisadora aplicou um primeiro questionário para mapear a relação dos estudantes com a Geografia e entender o que pensavam sobre a disciplina. A etapa seguinte consistiu no acompanhamento das aulas teóricas e na introdução dos recursos não convencionais, que consistiam em materiais do cotidiano adaptados para fins pedagógicos e confeccionados pelos próprios estudantes com o auxílio da pesquisadora e do professor.

Para mensurar os resultados, utilizou-se um segundo questionário focado no conteúdo do capítulo, aplicado no início do projeto e reaplicado ao final do ciclo de atividades. Por fim, um terceiro questionário permitiu avaliar se houve mudança na percepção e no interesse dos alunos em relação ao ensino da Geografia.

“No início, apliquei o primeiro questionário para saber o que os alunos achavam da disciplina. Após um tempo, apliquei o segundo, um questionário diagnóstico. E mais um ao final, para mapear a mudança de perspectiva sobre o ensino da Geografia”, detalha.

Contribuições acadêmicas para o ensino da Geografia

Para a professora e orientadora Joselia Saraiva e Silva o trabalho desenvolvido pela discente possui uma contribuição importante para o âmbito acadêmico da Geografia. “Esta pesquisa responde uma questão fundamental: como organizar didaticamente uma aula de Geografia em escolas da zona rural, as quais apresentam escassez de material didático? Como tornar esses materiais potencializadores da aprendizagem geográfica?”, destaca.

Por fim, a pesquisa disponibiliza recursos didáticos aplicáveis não somente às escolas da rede pública, mas adaptáveis ao ensino didático e prático da Geografia nas demais instituições. “A proposta maior é uma educação inclusiva e igualitária com materiais simples. Então, que todos os estudantes, independente das limitações, tenham acesso a um processo de qualidade”, conclui Francisca Eduarda.