
Ferramenta reúne informações baseadas em evidências científicas e busca ampliar o acesso a conteúdos seguros sobre o tema
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Piauí (UFPI) resultou na criação e validação de um chatbot educativo sobre saúde menstrual voltado para adolescentes. Desenvolvida pela fisioterapeuta pélvica Bruna Wandscher durante o mestrado em Ciências e Saúde, sob orientação da professora Luisa Helena de Oliveira Lima, a ferramenta oferece informações confiáveis e acessíveis sobre menstruação e cuidados com a saúde.
A pesquisa partiu da identificação de lacunas no conhecimento das adolescentes sobre o tema. Uma revisão de escopo, que reuniu 41 estudos, apontou dúvidas relacionadas à fisiologia do ciclo, higiene, sintomas e percepção sobre o que é normal ou não durante a menstruação. Também foram identificados mitos e tabus que podem dificultar o reconhecimento de alterações, como cólicas intensas associadas a condições como a endometriose.
“Quando comecei a me aprofundar na saúde menstrual, percebi que a adolescência é uma fase muito importante para construir conhecimento e autonomia sobre o próprio corpo”, explica Bruna. Segundo a pesquisadora, a proposta foi unir essa necessidade ao uso de uma tecnologia presente no cotidiano desse público.
Desenvolvido na plataforma Telegram, o chatbot utiliza linguagem acessível e aborda temas como menstruação, ciclo menstrual, higiene, sintomas e cuidados. A ferramenta não tem o objetivo de substituir o acompanhamento profissional, mas de funcionar como uma fonte inicial de informação segura. “Não basta disponibilizar informação; precisamos pensar em como essa informação chega até o público e se ele consegue realmente compreender e utilizar aquele conhecimento”, destaca Bruna.

Ferramenta foi desenvolvida para uso no telegram
O conteúdo do chatbot foi validado por 11 especialistas da área da saúde e alcançou Índice de Validade de Conteúdo de 0,94. A tecnologia também foi avaliada por 11 especialistas em tecnologias em saúde, apresentando melhores resultados nos domínios de satisfação do usuário (0,90), eficiência (0,89) e afeto/emoção (0,86). O software foi ainda registrado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Para a professora Luisa Helena de Oliveira Lima, a ferramenta pode oferecer às adolescentes um espaço mais reservado para buscar informações. “Em uma ferramenta conversacional, a adolescente pode buscar informações e esclarecer dúvidas de maneira mais reservada, sem precisar se expor diante de outras pessoas”, afirma.
A próxima etapa da pesquisa será avaliar a usabilidade do chatbot com adolescentes, verificando se a linguagem e a navegação são adequadas às necessidades do público. Posteriormente, os pesquisadores pretendem investigar se a ferramenta pode contribuir para mudanças no conhecimento e nas práticas relacionadas à saúde menstrual.

Em ocasião da defesa de mestrado em Ciências e Saúde de Bruna Wandscher