“Ver, Sentir e Descobrir”: exposição da LEDOC e GPESC promove experiência sensorial e valorização dos saberes tradicionais na II Mostra do CCE

O Grupo de Pesquisa e Extensão em Sementes Crioulas do Piauí (GPESC), vinculado ao curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEDOC) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), promoveu, no dia 27 de agosto, a exposição “Ver, Sentir e Descobrir: a diversidade das sementes crioulas”. A atividade integrou a programação da II Mostra de Pesquisa, Extensão e Cultura do Centro de Ciências da Educação (CCE) e teve como foco a valorização da agrobiodiversidade e a conservação do patrimônio alimentar e cultural do Piauí.

Elaborada pelos proponentes Profa. Michelli Ferreira dos Santos, Elais do Nascimento Santos e José Rodrigues da Silva, discentes de mestrado; Leo Pereira, discente da Licenciatura em Educação do Campo; e Allilene Damasceno, discente de Agroecologia, a iniciativa foi realizada em alusão ao Dia da Agroecologia, comemorado em 3 de outubro, e reuniu exemplares das chamadas “sementes da fartura do Piauí”. A exposição foi planejada de forma sensorial e educativa, permitindo aos visitantes observar e comparar de perto a diversidade de cores, tamanhos, formas e texturas das sementes preservadas ao longo de gerações por agricultores e comunidades tradicionais.

Para ampliar a experiência dos visitantes e possibilitar a observação de características visuais das sementes, foram disponibilizados monóculos de observação durante a mostra, proporcionando uma aproximação diferenciada com os exemplares expostos. A ação teve como objetivo sensibilizar a comunidade acadêmica e o público visitante para a importância das sementes crioulas enquanto patrimônio genético, cultural e alimentar do Piauí.

A professora Michelli Ferreira dos Santos, coordenadora do projeto, destacou a importância do debate sobre agroecologia e a atuação do Grupo de Pesquisa e Extensão em Sementes Crioulas do Piauí: “Debater a agroecologia para o grupo de pesquisa e extensão em sementes crioulas do Piauí é ampliar o olhar sobre as sementes crioulas. Também é compreender que falar de sementes é falar de território, de biodiversidade, cultura, alimentação, autonomia e dos conhecimentos construídos pelos agricultores ao longo das gerações. A agroecologia nos permite discutir formas de produção que valorizem os recursos locais, a diversidade e os saberes tradicionais, fortalecendo, assim, a autonomia das comunidades e contribuindo também para uma agricultura mais sustentável”, pontuou Michelli.

A docente destacou ainda o papel do grupo na aproximação entre a Universidade e as comunidades do campo: “Nesse sentido, o GPESC se constitui como um espaço de diálogo entre a universidade e as comunidades, articulando pesquisa, extensão e educação do campo na construção de conhecimentos comprometidos com a conservação da agrobiodiversidade e com a soberania alimentar.”

O contato direto com a exposição também marcou a experiência dos estudantes que participaram da montagem, mediação e interação com os visitantes durante os dois dias de mostra. A discente do curso de Tecnologia em Agroecologia Allilene Marques Damasceno ressaltou a importância da iniciativa para aproximar o público da diversidade das sementes crioulas: “A Universidade é um ambiente em que teoria e prática precisam caminhar juntos. Como estudante de Agroecologia, ajudar na montagem da exposição, estar na mostra e falar sobre sementes é levar aos olhos de outras pessoas a importância das sementes crioulas e da diversidade que existe. Inclusive, há um banco de sementes crioulas dentro da própria Universidade, no CTT. É uma sensação boa de pertencimento, ver as pessoas parando, observando, tocando as sementes e tendo acesso a esse patrimônio genético tão vasto, saindo da noção de padronização alimentar que nos foi imposta. É eletrizante, é um estado de sinestesia”, concluiu.

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