Pesquisa de mestrado do PPGCS/UFPI destaca os impactos do infarto agudo do miocárdio no SUS

Nathany Uchôa, autora da pesquisa sobre o IMA, junto do professor orientador Maurício Paes Landim e os membros examinadores da defesa de dissertação

As doenças e ataques cardiovasculares são uma das maiores causas de pessoas doentes e óbitos no Brasil, tornando-se um problema de saúde pública devido ao alto número de internações, falecimentos e custos auxiliares. 

Uma pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciências e Saúde (PPGCS) da Universidade Federal do Piauí (UFPI) avaliou os números de internações e impactos hospitalares do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) no período de 2015 a 2025. 

Defendida em agosto de 2026 com o título: “Internações por infarto agudo do miocárdio no Brasil: tendência temporal e impacto hospitalar”. A dissertação de mestrado de Nathany Uchôa sob orientação do professor Maurício Paes Landim, monitorou as internações por IAM segundo sexo, faixa etária, região de atendimento, mortalidade hospitalar, tempo médio de permanência e custos das hospitalizações

Segundo Nathany, o interesse na pesquisa surgiu pela relevância do IAM na assistência hospitalar e pela sua importância para os serviços de urgência e emergência. “A partir da minha vivência profissional na área da saúde, percebi que o IAM não representa apenas um problema clínico para o paciente, mas também uma importante demanda para o sistema de saúde.”

Nathany complementa que a ideia inicial seria avaliar apenas o comportamento das internações, mas após um período de análise, percebeu que não seria o suficiente para compreender a dimensão do problema. “Por isso, ampliei a análise para indicadores como mortalidade hospitalar, tempo de permanência e custos. A partir dessa perspectiva, foi construído o problema de pesquisa e, posteriormente, definidos o objetivo geral e os objetivos específicos, buscando manter uma relação lógica entre a pergunta de pesquisa, a metodologia e os resultados”.

Após realizar a delimitação do tema, Nathany realizou a revisão para compreender o conhecimento que já tinha sido produzido e identificar lacunas. Em seguida, executou uma revisão de escopo sobre o impacto hospitalar do IAM, definiu o desenho metodológico e realizou a extração dos dados do SIH/SUS.

O professor Maurício Paes Landim comenta que o processo de orientação da pesquisa foi tranquilo, em que optou-se por abranger um tema nacional com busca pelo DATASUS. O professor adiciona que o maior desafio foi adentrar e usar a referida base. “Foi necessário entender os dados e organizá-los para que pudéssemos extrair as informações e atingir os objetivos.”

Com os resultados organizados e analisados, foi possível identificar que foram registradas 1.549.910 internações por IAM no Brasil, com crescimento de 85,19% no período. Sendo a região Sudeste a que tem mais internações, seguidas pelas regiões Nordeste e Sul. Além disso, foi observada maior predominância de internações entre homens e indivíduos de 60 a 69 anos.

Apesar de o número de óbitos ter aumentado, verificou-se redução da taxa de mortalidade hospitalar e do tempo médio de permanência, sugerindo avanços na assistência. Por outro lado, o crescimento das internações elevou os custos hospitalares, que ultrapassaram R$ 1 bilhão ao longo da série histórica, evidenciando o impacto econômico da doença sobre o SUS.

Ao fim, a pesquisa concluiu que o IAM ainda é um desafio para a saúde pública brasileira e que há necessidade de fortalecer iniciativas como a prevenção cardiovascular e a ampliação do acesso ao diagnóstico. “Trabalhar com dados secundários mostrou-se viável e fomos em busca de responder às nossas perguntas. O final foi gratificante”, conclui o professor Maurício Paes Landim.