Ciência e esporte: parceria entre UFPI e CAP contribui para acesso à Série A1 do futebol feminino

Acompanhamento fisiológico e nutricional realizado pelo Laboratório de Fisiologia do Exercício da UFPI contribuiu para o monitoramento do desempenho e da recuperação das atletas do Clube Atlético Piauiense

O futebol é reconhecido como uma das grandes paixões nacionais, mas, por trás das conquistas alcançadas dentro de campo, existe uma série de fatores que envolvem planejamento, preparação física, acompanhamento nutricional e conhecimento científico. Na histórica campanha do Clube Atlético Piauiense (CAP), que garantiu o acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro Feminino, a ciência desempenhou papel estratégico na preparação das atletas.

A parceria entre o time feminino do CAP e o Laboratório de Fisiologia do Exercício, vinculado ao Departamento de Biofísica e Fisiologia do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), coordenado pelo professor Marcos Antônio Pereira dos Santos, possibilitou o acompanhamento científico das jogadoras ao longo da temporada.

Por meio da parceria, pesquisadoras e pesquisadores, professores, estudantes de doutorado, mestrado e graduação participaram de avaliações destinadas a acompanhar diferentes aspectos relacionados à condição física, ao desempenho esportivo e à recuperação das atletas. Entre os procedimentos realizados estiveram avaliações nutricionais e de composição corporal, além da análise de potência de membros inferiores, capacidade aeróbia, incluindo o consumo máximo de oxigênio (VO₂ máx.), e capacidade anaeróbia.

Os dados obtidos nas avaliações permitiram ampliar o conhecimento sobre as condições fisiológicas das atletas e oferecer informações importantes para o planejamento da preparação física, contribuindo para a individualização das estratégias de treinamento e recuperação.

Ciência aplicada ao alto rendimento

Para o professor Marcos Antônio Pereira dos Santos, a parceria representa uma importante experiência de integração entre universidade e esporte, demonstrando como o conhecimento produzido no ambiente acadêmico pode ser aplicado diretamente às necessidades do alto rendimento.

“A parceria entre o Laboratório de Fisiologia do Exercício da UFPI e o Clube Atlético Piauiense demonstra, na prática, a importância da aproximação entre ciência e esporte. Nosso objetivo foi disponibilizar conhecimento científico e ferramentas de avaliação que permitissem compreender melhor as respostas fisiológicas das atletas, contribuindo para o planejamento do treinamento, para a recuperação e para a otimização do desempenho individual e coletivo”, destaca.

Segundo o professor, o trabalho também possui uma dimensão acadêmica relevante, ao proporcionar a estudantes de diferentes níveis de formação a oportunidade de vivenciar uma experiência de pesquisa aplicada em um contexto real de alto rendimento esportivo.

“Essa experiência possibilitou a participação integrada de professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação, fortalecendo a formação acadêmica e profissional e, ao mesmo tempo, mostrando que a universidade pode contribuir de maneira concreta para o desenvolvimento do esporte piauiense. A ciência não substitui o trabalho das atletas, da comissão técnica e de toda a estrutura do clube, mas oferece informações fundamentais para apoiar decisões e aprimorar os processos de treinamento e recuperação”, acrescenta Marcos Antonio.

Integração entre ensino, pesquisa, inovação e extensão

A iniciativa evidencia o potencial da Universidade Federal do Piauí para atuar em diferentes áreas da sociedade por meio da produção e aplicação do conhecimento científico. No esporte, a utilização de avaliações fisiológicas, nutricionais e de desempenho permite transformar dados científicos em estratégias capazes de auxiliar atletas e equipes na busca por melhores resultados.

No caso do CAP, o acompanhamento realizado pela equipe vinculada ao Laboratório de Fisiologia do Exercício contribuiu para o monitoramento sistemático das condições físicas e metabólicas das jogadoras durante uma temporada marcada por importantes desafios competitivos.

Para o coordenador do laboratório, a experiência reforça a importância de ampliar iniciativas que aproximem a universidade das demandas do esporte de alto rendimento.

“Quando ensino, pesquisa, inovação e extensão caminham juntos, conseguimos transformar o conhecimento produzido na universidade em uma ferramenta de impacto social. A trajetória do CAP mostra que o desenvolvimento do esporte também passa pela ciência, pelo planejamento e pelo acompanhamento sistemático das atletas. É uma experiência que fortalece tanto o esporte piauiense quanto a própria formação dos nossos estudantes e pesquisadores”, conclui.

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