UFPI capta mais de R$ 844 mil em edital do CNPq para pesquisas internacionais em Engenharia de Materiais

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) teve dois projetos da área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica aprovados na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 16/2025 – Apoio a Projetos Internacionais de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação. Juntas, as propostas receberão R$ 844.047,25 para o desenvolvimento de pesquisas em cooperação com instituições estrangeiras. Acesse o resultado final da Chamada Pública MCTI/CNPq nº 16/2025.

Os projetos são coordenados pelos professores Carla Eiras e Anderson de Oliveira Lobo. A proposta liderada por Carla Eiras obteve nota 9,8 e foi contemplada com R$ 319.897,81. Já o projeto coordenado por Anderson Lobo alcançou nota 9,77 e receberá R$ 524.149,44.

Sensores para diagnóstico do TDAH

Professora Carla Eiras

Coordenado pela professora Carla Eiras, o projeto "Sensores eletroquímicos de baixo custo para detecção de microRNAs como biomarcadores associados a transtornos do neurodesenvolvimento" tem como objetivo desenvolver ferramentas inovadoras, portáteis e acessíveis para auxiliar no diagnóstico e no acompanhamento de pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Segundo a pesquisadora, a iniciativa é resultado de uma trajetória de cooperação científica internacional construída ao longo dos últimos anos. As parcerias tiveram início em 2017, a partir de um projeto aprovado na chamada conjunta CAPES/FCT, envolvendo pesquisadores brasileiros e portugueses. Posteriormente, o trabalho foi fortalecido com a criação da Rede GENOPSYSENS, vinculada ao Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (CYTED), que reúne grupos de pesquisa de nove países.

"A cooperação não surgiu apenas para atender a uma chamada de financiamento, mas é resultado de parcerias científicas já consolidadas, evidenciadas por projetos em andamento, publicações conjuntas e atividades de pesquisa desenvolvidas ao longo dos últimos anos", destaca.

A pesquisa investigará microRNAs, moléculas que podem atuar como biomarcadores do TDAH, contribuindo para diagnósticos mais precoces e precisos, além do monitoramento da resposta aos tratamentos.

De acordo com a professora, os recursos aprovados serão destinados tanto ao desenvolvimento científico da pesquisa quanto ao fortalecimento da cooperação internacional. Entre as ações previstas estão a concessão de bolsas, a mobilidade acadêmica de estudantes e pesquisadores, missões de trabalho e estágios em instituições parceiras no exterior.

"Os recursos também apoiarão a formação de recursos humanos altamente qualificados, promovendo a capacitação de estudantes de graduação, pós-graduação e jovens pesquisadores em um ambiente de colaboração internacional", explica.

Ao comentar a nota 9,8 obtida na avaliação da proposta, Carla Eiras atribui o resultado à qualidade da equipe envolvida, à relevância social do tema e ao potencial inovador das tecnologias que serão desenvolvidas.

"Acredito que esse resultado seja fruto de um trabalho coletivo construído ao longo de vários anos. Tivemos a oportunidade de reunir uma equipe altamente qualificada e comprometida, além de demonstrar a força das parcerias científicas já estabelecidas", afirma.

A pesquisadora ressalta ainda que o projeto integra diferentes áreas do conhecimento, especialmente Engenharia de Materiais e Biotecnologia em Saúde. Entre os resultados esperados estão o desenvolvimento de sensores eletroquímicos inovadores produzidos com materiais sustentáveis e de baixo custo, além da geração de novos conhecimentos sobre biomarcadores moleculares associados ao TDAH.

"Nossas expectativas são bastante positivas. Esperamos ampliar o conhecimento sobre os biomarcadores associados ao TDAH, desenvolver sensores portáteis de baixo custo e fortalecer ainda mais as redes de cooperação internacional, ampliando as oportunidades de formação de estudantes e pesquisadores", destaca.

Bioimpressão 3D para tratamento de doenças osteoarticulares

Professor Anderson Lobo

O segundo projeto aprovado é coordenado pelo professor Anderson de Oliveira Lobo e tem como foco o desenvolvimento de técnicas avançadas de bioimpressão 3D para o tratamento de doenças osteoarticulares por meio da utilização de biomateriais.

Segundo o pesquisador, a proposta atua na fronteira do conhecimento científico ao integrar Engenharia de Materiais, manufatura aditiva e medicina de precisão.

"O objetivo principal é desenvolver técnicas avançadas e não convencionais de bioimpressão 3D para o tratamento de doenças osteoarticulares utilizando biomateriais", explica.

Com financiamento de R$ 524.149,44, os recursos serão destinados, principalmente, à concessão de bolsas de pós-doutorado e de Desenvolvimento Tecnológico Sênior, incluindo atividades realizadas em parceria com a Harvard Medical School.

Para Anderson Lobo, a nota 9,77 obtida pelo projeto reflete tanto o caráter inovador da proposta quanto a solidez da colaboração internacional construída ao longo da última década.

"A inovação, a atuação na fronteira do conhecimento e a parceria consolidada entre os grupos de pesquisa há mais de dez anos foram fundamentais para esse reconhecimento", avalia.

O pesquisador destaca que a iniciativa poderá gerar impactos significativos para a Engenharia de Materiais e para a sociedade, contribuindo para o avanço das técnicas de manufatura aditiva e para o desenvolvimento de soluções voltadas à saúde pública.

"Poderemos desenvolver técnicas de medicina de precisão para o tratamento de um problema de saúde pública, reduzindo custos para o SUS e promovendo melhoria da qualidade de vida e da longevidade da população", afirma.

Entre os resultados esperados estão o depósito de patentes, a publicação de artigos científicos de alto impacto e a formação de recursos humanos altamente qualificados.

Internacionalização da pesquisa

A Chamada MCTI/CNPq nº 16/2025 tem como objetivo fomentar a cooperação internacional por meio do apoio a projetos desenvolvidos em parceria entre pesquisadores brasileiros e instituições estrangeiras. Entre suas metas estão a ampliação da internacionalização da ciência brasileira, a formação de recursos humanos qualificados e o fortalecimento da participação do país em redes globais de pesquisa.

Com os resultados alcançados, a UFPI amplia sua presença em iniciativas internacionais de pesquisa e fortalece sua atuação em uma área estratégica para o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação.

Além dos dois projetos financiados na área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica, a Universidade teve outras propostas recomendadas pelos comitês avaliadores do CNPq, totalizando 14 projetos com mérito científico reconhecido na chamada, resultado que evidencia a qualidade da pesquisa desenvolvida pela Instituição e sua crescente inserção em redes internacionais de colaboração científica.