UFPI tem dois projetos contemplados no resultado final do Proinfra Expansão 2025 da Finep

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) teve dois dos três projetos apresentados pela instituição contemplados no resultado final da Chamada Pública Proinfra Expansão 2025, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A aprovação representa um importante avanço para o fortalecimento da infraestrutura científica da Universidade, com investimentos destinados à aquisição de equipamentos e à estruturação de plataformas multiusuárias de pesquisa.

O Proinfra Expansão é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Finep voltada à implantação, modernização e expansão da infraestrutura de pesquisa em instituições públicas de ciência, tecnologia e inovação.

Entre as propostas da UFPI contempladas estão a “Plataforma Multiusuária de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos de Interesse às Ciências da Vida” e a “Infraestrutura voltada à pesquisa em polímeros biodegradáveis, sustentabilidade e aplicações no setor agroalimentar”. Os projetos reúnem pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e têm como característica o uso compartilhado da infraestrutura, permitindo que equipamentos e laboratórios atendam a diversos grupos de pesquisa da UFPI e de outras instituições.

Pró-reitor da PROPESQI, Rodrigo Veras

De acordo com o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Rodrigo Veras, a aprovação representa uma importante conquista e demonstra a qualidade e a capacidade de competitividade nacional dos pesquisadores da UFPI. “A contemplação de dois projetos no Proinfra Expansão 2025 permitirá fortalecer infraestruturas multiusuárias estratégicas, ampliando as condições para o desenvolvimento de pesquisas de excelência, a formação de recursos humanos e a inovação. Mais do que adquirir equipamentos, estamos investindo em estruturas que poderão gerar novas parcerias, tecnologias e soluções para demandas do Piauí e da região Nordeste”, enfatizou.

Pesquisa aplicada às Ciências da Vida


André Luis Carvalho

A Plataforma Multiusuária de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos de Interesse às Ciências da Vida (P&D-VIDA) é coordenada pelo professor André Luis Carvalho, do Departamento de Farmácia do Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFPI). A proposta surgiu para atender à demanda por análises de caracterização e desempenho de produtos no contexto das Ciências da Vida.

A infraestrutura permitirá a realização de estudos relacionados à obtenção e à caracterização físico-química e biológica, estabilidade, investigações farmacológicas, segurança e eficácia clínica de produtos farmacêuticos, cosméticos, nutricionais, agronômicos e veterinários, além de produtos odontológicos, materiais biocompatíveis e soluções desenvolvidas por startups e pelo setor produtivo do ecossistema da região do Meio-Norte do país.

“Após a aprovação e avaliação interna, o subprojeto da nossa plataforma foi enviado à Finep para concorrência nacional com outras ICTs do país. Após os processos de avaliação de habilitação e mérito, a proposta da P&D-VIDA alcançou a 22ª colocação entre os 70 projetos recomendados para receber recursos orçamentários da chamada”, explica o docente.

Os recursos serão destinados à aquisição de equipamentos analíticos para avaliação e caracterização de insumos, materiais, alimentos, cosméticos, produtos farmacêuticos e amostras biológicas. Entre as tecnologias previstas estão equipamentos para análises por infravermelho, análises cromatográficas, ensaios de dureza e superfície de materiais odontológicos e análises microscópicas.

A implantação da plataforma, equipada com tecnologias inovadoras e de uso compartilhado, deverá ampliar a precisão e a qualidade das pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação da UFPI. A estrutura também poderá atender pesquisadores de outras instituições do Estado, fortalecendo a cooperação científica.

Com isso, os produtos e processos desenvolvidos poderão contribuir para setores estratégicos como saúde, alimentos, biotecnologia, indústria farmacêutica, qualidade de vida e sustentabilidade, além de pesquisas relacionadas a mecanismos farmacológicos e fisiológicos. A iniciativa também deverá favorecer a transferência de tecnologia, a inovação e o fortalecimento do ecossistema científico e produtivo local.

“É um momento de comemoração da aprovação na chamada, pois o excelente desempenho do subprojeto demonstra a capacidade de competitividade nacional, fruto da imensa dedicação de pesquisadores e pesquisadoras que contaram com o apoio institucional da PROPESQI/CIP/UFPI, dos programas de pós-graduação e das unidades acadêmicas envolvidas”, afirma.

Polímeros biodegradáveis e sustentabilidade

A outra proposta contemplada tem como foco a criação e o fortalecimento de uma infraestrutura multiusuária dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de polímeros biodegradáveis, materiais sustentáveis e aplicações relacionadas ao setor agroalimentar.

Tatianny Soares Alves

Segundo a professora Tatianny Soares Alves, coordenadora do projeto e docente do Departamento de Engenharia de Materiais do Centro de Tecnologia (CT/UFPI), a proposta surgiu da necessidade de fortalecer a infraestrutura de pesquisa da Universidade nas áreas de polímeros biodegradáveis, sustentabilidade e aplicações voltadas ao setor agroalimentar.

A iniciativa prevê a criação de uma infraestrutura multiusuária capaz de atender diferentes grupos de pesquisa, cursos de graduação e programas de pós-graduação, ampliando a capacidade da UFPI de desenvolver e caracterizar novos materiais sustentáveis.

“O principal objetivo é transformar a infraestrutura disponível em um espaço compartilhado, capaz de apoiar pesquisas desde o desenvolvimento e processamento dos materiais até sua caracterização e avaliação de desempenho”, afirma.

Os recursos destinados ao projeto serão utilizados principalmente na implantação e no fortalecimento da infraestrutura de pesquisa, com a aquisição de equipamentos inéditos no Estado do Piauí e de equipamentos de alta demanda necessários ao desenvolvimento dos estudos.

Ao explicar como a infraestrutura será utilizada, Tatianny Soares Alves ressalta seu caráter compartilhado. “A ideia é utilizar essa estrutura de forma multiusuária, permitindo que diferentes pesquisadores possam desenvolver projetos relacionados a polímeros biodegradáveis, reciclagem, materiais sustentáveis, agricultura e sustentabilidade”, afirma a docente.

A pesquisadora também aponta os benefícios esperados para a produção científica e para a sociedade. “Para a academia, o projeto permitirá ampliar a qualidade e a quantidade das pesquisas, formar recursos humanos mais qualificados, fortalecer a pós-graduação e aumentar a capacidade da UFPI de estabelecer parcerias e produzir conhecimento científico e tecnológico. Para a sociedade, existe o potencial de desenvolver materiais mais sustentáveis, contribuir para a redução do uso de materiais convencionais e gerar soluções aplicáveis à agricultura e à sustentabilidade”, destaca.

Para Tatianny, o alcance da proposta vai além da ampliação da infraestrutura. “Mais do que adquirir equipamentos, o projeto representa a criação de uma estrutura permanente de pesquisa e inovação, capaz de integrar pesquisadores e transformar conhecimento científico em soluções para problemas reais”, conclui a pesquisadora.