
Acontece nesta sexta-feira, 29 de maio, a 2ª Jornada Comemorativa do Dia da África, no Auditório do Centro de Tecnologia (CT), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina. Com início às 8h30, o evento terá como lema “Ubuntu: reparação histórica por meio da resistência do povo africano e afro-indígena” e reunirá estudantes africanos, pesquisadores, representantes institucionais e comunidade acadêmica em uma programação voltada ao debate sobre memória, resistência, cultura e direitos humanos.
Organizada pela Associação dos Estudantes Africanos no Piauí (AEAPI), com apoio da UFPI, a Jornada terá como um dos principais destaques a discussão sobre a resolução aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em março de 2026, que reconhece a escravização de africanos como um dos mais graves crimes contra a humanidade. O tema será debatido no primeiro painel do evento, conduzido pelo embaixador Francisco José da Cruz.

Presidente da AEAPI, Maimuna Muamy
De acordo com a presidente da AEAPI, Maimuna Muamy, as discussões que serão suscitadas dentro da 2ª Jornada Comemorativa do Dia da África fortalecem tanto a vivência africana quanto a brasileira. Ela destaca que o Brasil possui uma ligação histórica e cultural profunda com o continente africano, sendo o segundo país com a maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria. “Isso impacta bastante o nosso olhar”, afirmou.
Segundo Maimuna, o evento amplia as comemorações que não se restringem apenas ao aspecto cultural, mas também ao científico. “Trazer pessoas africanas que pesquisam o continente e desenvolvem trabalhos brilhantes é fundamental para promover esse intercâmbio. Consideramos necessária essa troca de saberes e de olhares científicos entre diferentes partes do mundo, especialmente entre África e Brasil, que é um país de dimensão continental”, explicou.
Ela ressaltou ainda que o principal objetivo é compreender os processos históricos relacionados à escravidão e às pautas de reparação histórica. “Sabemos que a reparação histórica é um conceito complexo. O continente africano possui 54 países e muitos deles sofreram com a escravização. Então, pensamos: quais mecanismos podem ser utilizados para reparar historicamente esses povos? Essas reflexões impulsionam nossos objetivos”, concluiu.
A programação contará ainda com painéis sobre reparações históricas, apresentações culturais, exposição sobre países africanos, música, poesia, dança, teatro e debates sobre as relações entre África e Brasil.
Durante a manhã, também haverá apresentação dos países africanos, com informações sobre localização geográfica, história e símbolos nacionais. Entre as atrações culturais estão apresentações do Grupo Afro-Afoxá e do músico James Brito.
A abertura oficial contará com a participação da reitora da UFPI, professora Nadir Nogueira e da presidente da AEAPI, Maimuna Muamy Injai.
As atividades seguem até às 18h e são abertas à comunidade acadêmica e ao público em geral.
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