Conheça Maria Alice: primeira pessoa surda a se tornar mestra do PPG em Letras da UFPI

Maria Alice de Sousa Rocha, egressa do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGEL), tornou-se a primeira pessoa surda a tornar mestra do programa na Universidade Federal do Piauí (UFPI). A conquista representa um marco na história da Instituição e evidencia a transformação em curso no espaço acadêmico, com avanços na inclusão e no acesso de pessoas surdas à pós-graduação.

A banca de defesa aconteceu no dia 18 de março de 2026. O título da dissertação é: “A construção das identidades de aprendizes surdos de português como língua adicional nas práticas de letramentos acadêmicos: uma análise sob a perspectiva da Teoria do Caos e da Complexidade”.

Maria Alice

Graduada em Letras Português pela UFPI, Maria Alice contou que a decisão de ingressar no PPGEL foi motivada e fortalecida a partir do apoio das pessoas com quem construiu vínculos ao longo da vida. “Me formei no curso de Letras Português e, durante a graduação, eu consegui desenvolver habilidades, juntamente com meus amigos. Por mais que eles não soubessem Libras, mas, a partir daquele contato, eles foram desenvolvendo. Tinha uma interação na área de linguística e eu fui me sentindo motivada com o conhecimento que tinha construído no curso. Sempre fui muito curiosa e tinha algumas amigas que já estavam no Colcha de Retalhos, que me motivaram a fazer a inscrição para o mestrado”, relatou.

Maria Alice, ao lado da professora Leila Rachel Barbosa Alexandre e da professora Conceição de Maria Ferreira de Macêdo, coordenadoras do Grupo Colcha de Retalhos

A pesquisa foi orientada pela professora Leila Rachel Barbosa Alexandre, coordenadora do grupo de estudos “Colcha de Retalhos: Grupo de Estudos em Letramentos Acadêmicos”, dedicado a investigar e desenvolver estratégias para apoiar estudantes iniciantes na leitura e produção de textos acadêmicos.

“A professora Leila me convidou para participar do grupo de pesquisa Colcha de Retalhos e lá a gente interagia, se comunicava. Nas salas de aula do mestrado também tinha amigas que sabiam línguas de sinais, então conseguíamos interagir, mesmo sendo um grupo tão pequeno. A gente conseguia se desenvolver e o conhecimento era compartilhado”, acrescentou Maria Alice.

Na visão de sua orientadora, professora Leila Alexandre, Maria Alice é uma orientanda perspicaz, marcada pela sua curiosidade. A docente ressaltou também a felicidade que sente, ao compartilhar experiências e poder conviver com a egressa. “Orientar a Maria Alice tem sido um prazer, porque a gente continua mesmo depois do Mestrado. Ela sempre foi uma aluna brilhante para os outros professores, mas, principalmente, uma orientanda que foi se tornando uma pesquisadora muito perspicaz. Ela colaborou muito com o desenvolvimento do grupo de pesquisa Colcha de Retalhos”, comentou a professora.

A professora Leila Alexandre destacou ainda o caráter histórico da conquista de Maria Alice, que se tornou a primeira pessoa surda com título de mestra pela UFPI. “É muito histórico, porque é a primeira mestra surda formada pela Universidade, mas também representa muito para a vida de quem está ali convivendo, acompanhando e tendo essa oportunidade de se desenvolver com a Maria Alice. Me sinto muito feliz e grata por ter tido esse privilégio de ser a orientadora da Maria Alice”, concluiu.