UFPI vai inaugurar Banco Vermelho como símbolo de enfrentamento ao feminicídio e à violência de gênero

UFPI adere campanha da Andifes voltada para o combate à violência contra a mulher

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) realiza, na segunda-feira (16), às 9h, uma ação simbólica e educativa de conscientização sobre o feminicídio com a inauguração de um Banco Vermelho no Campus Ministro Petrônio Portela, em Teresina. A iniciativa ocorrerá no Espaço Rosas dos Ventos, ao lado do Espaço ARCO, e busca sensibilizar a comunidade acadêmica e a sociedade sobre a violência contra as mulheres, além de reforçar a importância de uma cultura de respeito e de paz. Os campi de Picos, Bom Jesus e Floriano também receberão o Banco Vermelho em data posterior. 

A pintura e a instalação do banco fazem parte de um movimento nacional que envolve instituições federais de ensino superior, com apoio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). A proposta é transformar o espaço público em um símbolo permanente de reflexão e alerta contra a violência de gênero.

A reitora da UFPI, Nadir Nogueira, destacou a importância da adesão da Universidade à campanha. Segundo ela, a iniciativa integra um conjunto mais amplo de políticas institucionais voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres. “A Universidade soma-se a essa importante mobilização de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres, dentro de um plano institucional mais amplo voltado à defesa da vida e à promoção de uma cultura de respeito. Trata-se de uma campanha internacional, iniciada na Itália em 2016, e que, no Brasil, passou a contar com legislação específica que reconhece o Banco Vermelho como símbolo de reflexão e de posicionamento das instituições públicas contra qualquer forma de violência de gênero”, afirmou.

A reitora também ressaltou que a iniciativa integra um compromisso institucional mais abrangente. “A Andifes tem estimulado as universidades federais a aderirem a essa ação, e toda a rede tem adotado os bancos vermelhos. Essa iniciativa também preserva a memória das vítimas de feminicídio e funciona como um alerta permanente contra a violência de gênero. Na UFPI, essa ação se soma a outras iniciativas, como a Sala Lilás e o plano institucional de enfrentamento à violência. Além disso, os bancos também serão instalados nos campi de Picos, Floriano e Bom Jesus, reforçando o compromisso da Universidade com a proteção das mulheres e a defesa da vida”, completou.

O pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC), Emídio Matos, destacou o significado simbólico da iniciativa e o papel da comunidade universitária no enfrentamento à violência de gênero. “Mais do que uma intervenção estética, o Banco Vermelho é um chamamento à reflexão contra o silenciamento. A cor vermelha, integrada ao Espaço Rosas dos Ventos, simboliza o sangue derramado de mulheres vítimas de feminicídio. Infelizmente, no país, cerca de 90% dos assassinos de mulheres e meninas são homens. O banco nos convida a sentar e refletir, e essa é justamente a frase da campanha: ‘sentar e refletir, levantar e agir’”, afirma.

O pró-reitor também ressaltou a importância de uma postura coletiva no enfrentamento à violência. “É fundamental que a comunidade universitária e a sociedade teresinense compreendam que precisamos construir um território de acolhimento. Isso exige uma postura ética e clara para garantir liberdade e segurança a todos os corpos que circulam na universidade e na sociedade. Não podemos tolerar qualquer ação que agrida a existência das mulheres”, destaca.

Ele ainda fez um chamamento especial aos homens da comunidade acadêmica. “Esse não é um tema apenas das mulheres. O pacto pelo feminicídio zero exige que nós, homens, assumamos a responsabilidade de desconstruir comportamentos agressivos e de controle sobre os corpos das mulheres. É um convite para que cada homem se torne um aliado ativo nessa luta, porque o fim da violência de gênero depende de uma mudança profunda da consciência coletiva masculina”, concluiu.