Mostra Científica do projeto Mais Ciência nas Escolas é realizada em escola de Teresina com protagonismo feminino na ciência

Evento foi realizado na Escola Ana Vitória de Carvalho Santos

Na manhã desta quinta-feira (5), foi realizada a primeira Mostra Científica do projeto Mais Ciência nas Escolas na Escola Ana Vitória de Carvalho Santos, localizada na zona Sul de Teresina. A mostra, com o tema “Rede Piauí Faz Ciência – Inovação e Educação para o Futuro”, teve como objetivo apresentar os resultados dos trabalhos desenvolvidos por 15 escolas da capital, sendo 14 da rede municipal e o Colégio Técnico de Teresina (CTT/UFPI).

Os projetos tiveram como premissa utilizar a ciência de forma multidisciplinar para propor soluções para questões ambientais e incentivar práticas de sustentabilidade.

O programa Mais Ciência nas Escolas é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo é promover o letramento digital e a educação científica por meio da implantação de laboratórios maker em escolas públicas.

No Piauí, o projeto foi selecionado pelo CNPq em chamada pública e lançado em fevereiro de 2025 pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) com uma característica particular: é destinado exclusivamente a meninas.

Professor Jaclason Veras

O idealizador e coordenador do projeto, professor Jaclason Veras, explica que a mostra apresenta os resultados obtidos após 14 meses de atividades desenvolvidas por estudantes da rede pública de educação de Teresina, com o apoio de laboratórios equipados com tecnologias inovadoras.

“Trabalhamos com esse projeto nas áreas de piscicultura, meio ambiente e sustentabilidade em 14 escolas do município de Teresina, além do Colégio Técnico de Teresina, vinculado à UFPI. É um projeto que envolve alunas do oitavo ano do ensino fundamental até estudantes do ensino médio, atuando nessas linhas temáticas. Hoje apresentamos os resultados de 14 meses de trabalho. Cada escola recebeu um laboratório maker com impressoras 3D, máquinas de corte, notebooks, impressoras a jato de tinta e diversos insumos, além de capacitações para utilização desses equipamentos. Esta mostra científica reúne os 15 trabalhos produzidos nas escolas durante esse período”, explica.

Luana Meneguelli Bonone

O evento contou com a presença da coordenadora-geral de Popularização da Ciência e Tecnologia do MCTI, Luana Meneguelli Bonone, que destacou a importância do projeto para incentivar o ensino e o desenvolvimento da ciência nas escolas.

Ela também ressaltou o diferencial da iniciativa no Piauí, que prioriza a participação de meninas, promovendo a inclusão feminina em áreas historicamente dominadas por homens.

“A ciência na escola não significa apenas instalar um laboratório, mas também desenvolver um plano de atividades com professores e estudantes bolsistas, conectados a instituições de ensino superior. Aqui no Piauí há um recorte muito especial: a decisão de que 100% das bolsistas sejam meninas. Isso promove a inclusão de uma população historicamente invisibilizada na história da ciência. Incentivar meninas na ciência também significa promover autonomia para as mulheres e enfrentar uma cultura que as limita a determinadas profissões. É uma decisão muito acertada e muito bonita do estado do Piauí”, ressalta.

Professor Jossivaldo Pacheco

O diretor do Colégio Técnico de Teresina, professor Jossivaldo Pacheco, também destacou a importância da aproximação entre Universidade e comunidade, enfatizando a relevância da iniciativa para estimular o interesse das estudantes pela ciência.

“É muito importante ter a Universidade saindo dos seus muros. Estamos falando de um investimento de R$ 1,5 milhão em 15 escolas, levando educação e sustentabilidade para todo o município de Teresina. Ficamos muito felizes em contribuir com essa iniciativa, levando educação de qualidade e motivando meninas a fazer ciência e a transformar a realidade onde quer que estejam”, afirma.

Cada escola participante do projeto possui um laboratório maker, utilizado pelo Clube de Ciência formado por 10 meninas. Durante a mostra científica, cada uma das 15 escolas apresentou seus trabalhos em estandes, com três estudantes representando o clube de ciência de cada instituição.

Estudantes do CTT/UFPI

Representando o Colégio Técnico de Teresina, as estudantes Gabriela Moreira, Ana Clara e Chislanny de Albuquerque, juntamente com suas colegas, desenvolveram o Cedrez, uma adaptação do jogo de xadrez inspirada no sertão. O jogo possui dois times: um composto por animais e plantas representativos do bioma caatinga e outro que simboliza ações humanas que prejudicam o meio ambiente.

O grupo também apresentou o jogo Riqueza Sustentável, inspirado no Banco Imobiliário, no qual os participantes avançam por meio de perguntas relacionadas à sustentabilidade. Além disso, foi desenvolvido um jogo digital no qual o jogador precisa realizar ações sustentáveis ao longo da partida.

As estudantes do segundo ano do ensino médio produziram os jogos utilizando recursos disponíveis no laboratório maker, como impressoras 3D, máquinas de corte, notebooks e impressoras.

Estudante Ana Clara

Ana Clara conta que inicialmente não se imaginava atuando na área de tecnologia, mas descobriu uma nova paixão ao participar do projeto.

“Quando eu entrei na escola, nem imaginava que iria participar de projetos assim. Mas depois que comecei, virou uma paixão. Passei a gostar muito de robótica, programação e modelagem 3D. Foi uma experiência nova que mudou a minha vida”, relata.

Estudante Chislanny de Albuquerque

Gabriela Moreira também afirma que desenvolveu interesse pela área após começar a frequentar o laboratório.

“Antes do projeto, eu não me via na área de tecnologia. Mas, convivendo todos os dias no laboratório, modelando e programando, descobri que isso se tornou uma paixão para mim”, conta.

Estudante Gabriela Moreira

Já Chislanny de Albuquerque destaca que as estudantes tiveram autonomia no desenvolvimento dos projetos.

“O professor ajudou em algumas etapas, mas nós desenvolvemos tudo. Modelamos as peças, aprendemos a usar a impressão 3D e nos dividimos em grupos para criar os jogos. Um grupo fez o xadrez, outro o banco imobiliário e outro desenvolveu a animação no Scratch. No final, todos participaram de todas as etapas”, explica.

Professor Franklhes Carvalho

O orientador do grupo, professor Franklhes Carvalho, ressalta que o projeto contribui para integrar diferentes áreas do conhecimento e ampliar o protagonismo feminino na ciência.

“O projeto Mais Ciência nas Escolas foi abraçado pelo Colégio Técnico como uma oportunidade de fortalecer a cultura científica no ambiente escolar. Temos cursos de Tecnologia em Informática, Agropecuária, Enfermagem e Agente Comunitário de Saúde. Com o projeto, conseguimos implantar um laboratório de modelagem 3D, que hoje é utilizado para desenvolver atividades como gamificação e criação de jogos educacionais voltados ao ensino sobre meio ambiente”, destaca.

O Mais Ciência nas Escolas integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e dialoga com o Programa Escola em Tempo Integral, promovendo letramento digital, educação midiática e combate à desinformação no ambiente escolar.

O projeto foi selecionado pelo CNPq na chamada pública “Conecta e Capacita nº 13/2024” e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Teresina (SEMEC), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) e do Ponto de Presença da RNP no Piauí (PoP-PI).

Em Teresina, a implantação dos laboratórios foi viabilizada por meio da submissão de um projeto ao CNPq, com apoio do MEC e do MCTI. A iniciativa conta com um investimento de R$ 1,5 milhão, destinado a custeio, aquisição de equipamentos e concessão de bolsas para estudantes e para a organização do projeto.

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