
Reitora Nadir Nogueira em Brasília (DF) para receber Prêmio Mulheres e Ciência
Nesta quinta-feira, 5 de março, às 15h30, no Auditório do CNPq, em Brasília (DF), a reitora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Nadir Nogueira, recebe o prêmio referente ao 3º lugar na categoria Mérito Institucional da 2ª edição do Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na oportunidade, o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Rodrigo Veras, também estará presente. Acompanhe a transmissão do evento aqui.
A Instituição foi contemplada por meio do projeto “Ciência Plural na UFPI: Estratégias de Permanência, Liderança e Sustentabilidade em Gênero e Ciência” de autoria das professoras Nadir do Nascimento Nogueira, Gardênia Pinheiro de Sousa, Maria do Socorro Pires e Cruz, Maria Regiane Araújo Soares e Elayne da Silva Figueiredo. A proposta apresenta estratégias voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra mulheres no ambiente acadêmico.

Reitora Nadir Nogueira participa de roda de conversa com as agraciadas e representantes das instituições contempladas pelo Prêmio. Momento de diálogo acontece na manhã desta quinta-feira (05) no CNPq
Para a reitora Nadir Nogueira, a conquista representa o resultado de um conjunto consistente de ações desenvolvidas pela UFPI em prol das mulheres e da equidade de gênero. “Nos honra o reconhecimento de um trabalho e de uma política institucional que envolve ações diversas no ensino, na pesquisa, na extensão e na inovação, mas que também considera a sustentabilidade, a inclusão e o respeito às questões de gênero. Temos projetos na Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PROPESQI), com editais que já preveem percentuais específicos, como ocorreu recentemente no edital de Produtividade, que contemplou quatro pesquisadoras. A Pró-Reitoria de Administração também tem atuado com atenção à questão de gênero, estabelecendo percentuais de mulheres a serem contratadas nos diversos contratos celebrados pela instituição em diferentes áreas de atuação. São ações concretas de inclusão e de redução das desigualdades de gênero”, destacou.
Segundo a reitora, o reconhecimento é motivo de grande satisfação. “É muito gratificante saber que o trabalho que estamos realizando está sendo reconhecido não apenas pela sociedade piauiense, mas também por uma instituição como o CNPq, que realiza avaliações rigorosas. A proposta submetida, intitulada ‘Ciência Plural na UFPI: estratégias de permanência, liderança e sustentabilidade em gênero e ciência’, reafirma o compromisso da atual gestão, que marca a história da universidade por ter, pela primeira vez em 55 anos, uma mulher à frente da Reitoria”, enfatizou.
O pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFPI, Rodrigo Veras, destacou a importância do programa “Ciência Plural na UFPI”, que busca instituir diretrizes institucionais sólidas para a redução das desigualdades de gênero no ambiente acadêmico. Segundo ele, a promoção da equidade também representa um indicador de qualidade científica e de inovação na Universidade, ao favorecer a permanência e a ascensão de pesquisadoras na comunidade acadêmica. “A conquista do 3º lugar no Prêmio Mulheres na Ciência é um marco histórico que valida o esforço coletivo da UFPI em construir um ambiente acadêmico mais inclusivo. No âmbito da PROPESQI, esse prêmio fortalece nossa missão de ir além do discurso. Estamos intensificando ações concretas, como a revisão de critérios em editais de fomento para considerar a licença-maternidade na avaliação da produtividade científica e a criação de programas específicos de incentivo à liderança feminina em grupos de pesquisa”, enfatizou o professor Rodrigo.
A segunda edição do Prêmio Mulheres e Ciência contou com 684 inscrições distribuídas em quatro categorias, voltadas ao incentivo de jovens acadêmicas, ao reconhecimento de pesquisadoras e à valorização de instituições comprometidas com a promoção da equidade de gênero nas áreas científica e tecnológica do Brasil. A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 5 de março de 2026, em Brasília (DF).
O prêmio é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério das Mulheres, o British Council Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.
Políticas institucionais para promoção de inclusão, permanência e diversidade
A categoria Mérito Institucional reconhece planos e instituições que promovem a igualdade de gênero, a diversidade e a inclusão por meio de estratégias capazes de transformar a cultura institucional e ampliar a participação feminina na ciência.
O projeto está estruturado em três eixos principais: fortalecimento Institucional e Estrutural, com a criação de comissão para estudo e implementação de políticas de equidade de gênero e étnico-racial; visibilidade e Incentivo à Carreira Científica em STEMM, promovendo a representatividade e a permanência de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática e Medicina;e sustentabilidade, Governança e Integração, com a implementação de políticas de equidade e diversidade nos Planos de Desenvolvimento Institucional (PDIs) e nos regulamentos da Universidade.
O programa “Ciência Plural na UFPI” possui quatro objetivos centrais: compromisso institucional e mudança estrutural, promovendo transformações culturais e institucionais sustentáveis; combate à violência, ao assédio e ao tratamento discriminatório, com ações de proteção e acolhimento para mulheres cisgênero, mulheres transgênero e pessoas da comunidade LGBTQIA+; remoção de obstáculos relacionados ao cuidado e à progressão de carreira, com fortalecimento de políticas de permanência estudantil e apoio à maternidade;e enfrentamento da sub-representação e das desigualdades, com incentivo à inclusão e permanência nas áreas tecnológicas, além de ações afirmativas como bolsas, iniciação científica e protagonismo em eventos acadêmicos.
Na equipe do projeto, a professora do curso de Ciências Biológicas do Campus de Floriano, Regiane Araújo celebra o reconhecimento do trabalho desenvolvido e destaca a importância da premiação para ampliar a visibilidade das ações institucionais. “A premiação amplia a visibilidade institucional da UFPI no cenário nacional, fortalece redes de colaboração, inspira jovens pesquisadoras e contribui para consolidar políticas internas mais sensíveis e reparadoras das desigualdades de gênero. Este resultado é da UFPI, que, com seu compromisso institucional, reconhece o papel estratégico das mulheres na produção do conhecimento e no desenvolvimento da Universidade, do Piauí e do Brasil”, afirmou.
Regiane Araújo atua há mais de 20 anos na educação, pesquisa e gestão universitária. É integrante do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação e do Comitê de Ética em Pesquisa da UFPI. Possui mestrado em Saúde e Ambiente e doutorado em Biotecnologia, desenvolvendo pesquisas nas áreas de ecoepidemiologia da leishmaniose, biologia de insetos vetores, biotecnologia e ensino de Ciências.
Mulher preta, a pesquisadora destaca que receber o prêmio representa um importante avanço no reconhecimento de trajetórias que historicamente enfrentam barreiras para se consolidar no ambiente científico.
A docente também ressaltou o papel da gestão universitária da UFPI, especialmente por meio da PROPESQI, no fortalecimento do protagonismo feminino na pesquisa. “Esse movimento tem sido acompanhado por uma maior sensibilidade institucional no enfrentamento às desigualdades de gênero, raça e território, reconhecendo que a promoção da equidade exige políticas diferenciadas e a construção de ambientes acadêmicos mais inclusivos. Ainda há desafios significativos, mas iniciativas como essa sinalizam um compromisso ético com a redução das assimetrias históricas”, concluiu.