Projeto da UFPI une cultura, fé e história na Rota Atlântica da Devoção a Nossa Senhora de Montserrat

Projeto estimula a valorização da cultura

O Projeto de Extensão “Do Monte Catalão ao Delta Piauiense: um projeto de extensão sobre a Rota Atlântica da Devoção a Nossa Senhora de Montserrat”, coordenado pelo professor Edilson Carvalho, do Departamento de Clínica Geral e com coordenação adjunta da professora do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Antonia Dalva França Carvalho, realizou sua primeira atividade de 2026 integrando cultura, história, educação e participação comunitária.

A ação ocorreu na manhã de 16 de fevereiro, com a quarta edição do Bloco Guariteiros de Montserrat, manifestação cultural que reúne famílias e crianças em uma festa educativa pelas ruas do Centro Histórico de Parnaíba (PI).

Criado há quatro anos, o Bloco Guariteiros de Montserrat surgiu como atividade voltada ao público infantil, com o propósito de celebrar o carnaval, expressão tradicional da cultura brasileira e, ao mesmo tempo, resgatar a história da devoção a Nossa Senhora de Montserrat no município litorâneo.

A programação deste ano teve início na Ermida de Nossa Senhora de Montserrat, um dos prédios mais antigos da cidade, construído em 1711. Ao som de frevo, o bloco percorreu as ruas do centro histórico, promovendo interação educativa e valorização do patrimônio histórico-cultural.

Projeto tem coordenação dos professores Edilson Carvalho e Antonia Dalva

Segundo o professor Edilson Carvalho, o nome do bloco carrega o sentido de pertencimento e preservação da memória local. “Como o nome do bloco diz, nós somos os guariteiros, os defensores da santa. Queremos fazer esse registro histórico para que não se perca na memória de Parnaíba nem a santa, nem a ermida, que é um dos prédios mais antigos da nossa cidade”, destaca o docente.

Em 2025, a iniciativa passou a integrar oficialmente as ações institucionais da UFPI como projeto de extensão, ampliando o alcance das atividades e fortalecendo o vínculo entre universidade e sociedade. A edição de 2026 marcou, portanto, o início formal do calendário anual do projeto, que prevê a realização de oficinas, palestras, exposição itinerante e a publicação de um livro, em formato impresso e digital, com a sistematização das pesquisas sobre a rota atlântica da devoção.

A proposta envolve docentes e discentes dos cursos de Medicina, História e Educação, reforçando o caráter interdisciplinar da iniciativa e materializando o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

Além do aspecto festivo, a edição deste ano foi marcada pela entronização de uma nova réplica da imagem de Nossa Senhora de Montserrat, padroeira histórica da antiga Vila da Parnaíba, iniciativa que reafirma o compromisso do projeto com o resgate e a valorização das tradições locais.

O projeto fundamenta-se na trajetória histórico-cultural da devoção mariana, cuja origem remonta à região da Catalunha, na Espanha. A imagem original encontra-se no Mosteiro de Montserrat, onde é conhecida como “Virgem Negra” ou “La Moreneta”, símbolo religioso e cultural catalão. De acordo com a fundamentação teórica da proposta, a difusão dessa devoção integra o processo de circulação transatlântica de símbolos religiosos durante a expansão ibérica entre os séculos XVI e XVIII.

No Brasil, o culto ganhou relevância em áreas estratégicas do litoral nordestino. Em Parnaíba, tornou-se elemento simbólico da fundação da antiga vila, sendo reconhecida como a primeira padroeira da cidade no início do século XVIII. “Assim, a iniciativa extensionista dialoga com o conceito de patrimônio cultural imaterial, compreendendo a devoção como parte da memória coletiva e da identidade regional, em consonância com as diretrizes de preservação cultural e fortalecimento comunitário”, finalizou o professor Edilson Carvalho.

O projeto também conta com a colaboração da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPAR) e do Instituto Geográfico e Genealógico de Parnaíba (IHGGP).

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