
Imagem do aplicativo "Me Socorre" desenvolvido no âmbito do PPG em Enfermagem
Ampliar o conhecimento da população sobre como agir diante de uma parada cardiorrespiratória (PCR) pode contribuir para uma resposta mais rápida e adequada em situações de emergência. Com esse propósito, a dissertação de mestrado de Lairton Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf/UFPI), desenvolveu o aplicativo móvel “Me Socorre”, uma tecnologia educacional voltada ao ensino da reanimação cardiopulmonar (RCP) para a população em geral. A pesquisa foi defendida e aprovada em abril de 2026 e busca aproximar conhecimentos relacionados aos primeiros atendimentos em situações de parada cardiorrespiratória.

Na foto, o mestre Lairton Oliveira ao lado do professor orientador Gilberto Pereira
De acordo com Lairton, a ideia do projeto surgiu a partir da percepção de que o celular poderia ser utilizado como ferramenta de apoio para pessoas sem formação na área da saúde que presenciem uma situação de parada cardiorrespiratória.
“Chegamos a esse tema a partir da percepção de que a parada cardiorrespiratória é uma emergência em que o tempo de resposta é decisivo. Muitas vezes, quem presencia esse tipo de situação fora do ambiente hospitalar é uma pessoa leiga, que não tem formação na área da saúde, mas que poderia iniciar ações simples e fundamentais até a chegada do SAMU. A partir disso, surgiu a inquietação: ‘Como tornar as orientações sobre Reanimação Cardiopulmonar (RCP) mais acessíveis, rápidas e compreensíveis para a população?’. Como os celulares estão muito presentes no cotidiano, pensamos no desenvolvimento de uma tecnologia em formato de aplicativo, que pudesse apoiar esse processo educativo de forma prática, objetiva e baseada em evidências científicas”, conta.
O “Me Socorre” é uma tecnologia de mHealth (saúde móvel), conceito que utiliza dispositivos móveis, como celulares, tablets e relógios inteligentes, para promover cuidados relacionados à saúde e ao bem-estar. O aplicativo foi desenvolvido a partir da identificação de necessidades e da análise de tecnologias já disponíveis, seguindo princípios do Design Centrado no Usuário e referenciais educacionais. A proposta é disponibilizar conteúdos sobre RCP de forma acessível e intuitiva, com possibilidade de funcionamento offline.
A validação do aplicativo contou com a participação de especialistas de diferentes áreas da saúde e da tecnologia.
“A pesquisa envolveu especialistas de diferentes áreas. A validade de conteúdo foi avaliada por nove juízes especialistas em suporte básico de vida, incluindo enfermeiros, médicos e fisioterapeutas. Já a validade de aparência foi avaliada por nove profissionais da área de computação e desenvolvimento de sistemas. Além disso, a usabilidade foi testada com 50 participantes leigos. Essa composição foi importante porque o aplicativo precisava ser cientificamente correto, tecnicamente funcional e compreensível para pessoas sem formação em saúde”, explica Lairton.
Sobre a aplicabilidade da ferramenta, Lairton projeta sua utilização em diferentes contextos de educação em saúde.
“Imagino o ‘Me Socorre’ sendo utilizado como ferramenta complementar em ações de educação em saúde, especialmente em escolas, comunidades, projetos de extensão universitária, campanhas educativas e treinamentos conduzidos por profissionais e estudantes da área da saúde. Na prática, o aplicativo também pode servir como material de consulta rápida, pois foi pensado com navegação linear, comandos curtos, linguagem simples e botão fixo para acionamento do SAMU”, finaliza.
Para o professor orientador do PPGEnf/UFPI, Francisco Gilberto Fernandes Pereira, o aplicativo pode ampliar o acesso da população a informações confiáveis sobre primeiros socorros.
“A principal relevância está na possibilidade de ampliar o acesso da população a orientações confiáveis sobre primeiros socorros, especialmente em situações em que o tempo de resposta é decisivo. Como os smartphones fazem parte do cotidiano de grande parte das pessoas, os aplicativos podem funcionar como ferramentas educativas de fácil alcance, favorecendo o aprendizado e a consulta rápida. No caso do ‘Me Socorre’, a proposta foi organizar as informações em módulos objetivos sobre reanimação em adultos, crianças, bebês e uso do Desfibrilador Externo Automático (DEA), com funcionamento offline, linguagem direta e navegação passo a passo. Isso não substitui treinamentos práticos, mas pode contribuir para que o leigo se sinta mais orientado e seguro diante de uma emergência”, afirma.
Gilberto Pereira destaca ainda a adaptação da linguagem como uma estratégia para tornar as orientações sobre os procedimentos de assistência imediata mais fáceis de compreender.
“A adequação cultural e a linguagem acessível são fundamentais porque o aplicativo foi pensado para pessoas que, em geral, não possuem formação em saúde. Em uma emergência, o medo, a insegurança e a pressão do tempo podem dificultar a tomada de decisão. Por isso, uma linguagem excessivamente técnica poderia afastar o usuário ou atrasar sua compreensão. No ‘Me Socorre’, buscou-se reduzir essa barreira por meio de comandos curtos, organização linear das etapas, imagens e animações em GIF, de modo que o usuário consiga compreender rapidamente o que deve fazer”, destaca.
A expectativa é que o aplicativo seja disponibilizado gratuitamente para a população. O objetivo é que o “Me Socorre” chegue às lojas de aplicativos após a conclusão das etapas de amadurecimento técnico e científico e de avaliação de sua efetividade junto ao público-alvo. Nessa fase, deverão ser investigados aspectos como usabilidade e efetividade na aquisição e retenção de conhecimentos.
A realização da pesquisa contou com apoio institucional e financeiro. O estudo recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Edital Universal, e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio de bolsa concedida durante o mestrado. Os investimentos contribuem para o fortalecimento da produção científica brasileira, especialmente de pesquisas aplicadas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias com impacto social e potencial contribuição para a educação em saúde.